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Translucência Nucal: o que é, valores normais e o que significa o resultado
Medicina Fetal 20 min de leitura

Translucência Nucal: o que é, valores normais e o que significa o resultado

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 20 min de leitura

Rastreio Pré-natal · Primeiro Trimestre

O exame de translucência nucal está entre os mais importantes do pré-natal — e entre os mais mal compreendidos. Muitas gestantes chegam sem saber exatamente o que será medido. Outras saem sem entender o que o resultado significa. Este artigo explica o que é a translucência nucal, como a medida é feita, o que os valores normais e alterados indicam — e por que esse exame vai muito além do rastreio da síndrome de Down.

A translucência nucal é uma das medidas do morfológico de primeiro trimestre. Para entender o exame completo — TN + osso nasal + ducto venoso + Doppler uterino + anatomia precoce —, veja o morfológico de primeiro trimestre completo.

Importante: a translucência nucal é um exame de rastreamento, não de diagnóstico. Um resultado alterado indica risco aumentado e merece investigação. Um resultado normal é tranquilizador, mas não elimina toda possibilidade de alteração. A interpretação correta exige análise integrada com outros marcadores e dados clínicos.

Ultrassom de translucência nucal no primeiro trimestre de gestação
Medida da translucência nucal no primeiro trimestre — exame realizado entre 11 e 14 semanas.

O que é a translucência nucal

A translucência nucal (TN) é o acúmulo de líquido que se forma naturalmente entre a pele e o tecido subcutâneo na região da nuca de todo feto no primeiro trimestre da gestação. Esse acúmulo pode ser medido com precisão por ultrassonografia e, quando está acima do esperado para a idade gestacional, indica que o risco de certas condições é maior.

O nome vem da aparência no ultrassom: a região aparece como uma faixa escura e translúcida atrás do pescoço do bebê, delimitada por duas linhas brancas — uma da pele e outra do tecido que recobre a coluna cervical. É uma imagem sutil, e medir bem exige técnica e atenção.

A medida da translucência nucal é o marcador de rastreamento mais importante do primeiro trimestre da gestação. Sozinha, já oferece informação valiosa sobre o risco fetal. Combinada com outros marcadores — bioquímica materna, osso nasal, ducto venoso — torna-se uma das ferramentas diagnósticas mais poderosas da medicina pré-natal.

De 1992 a hoje: como esse exame evoluiu

A translucência nucal tem uma data de nascimento precisa: abril de 1992. Foi nesse mês que o Prof. Kypros Nicolaides e sua equipe no King’s College Hospital de Londres publicaram no British Medical Journal o estudo que demonstrou, pela primeira vez, que a espessura do líquido nucal no primeiro trimestre podia identificar fetos com risco aumentado de alterações cromossômicas.

O critério era simples. De 827 fetos avaliados, os 51 com TN ≥ 3 mm tinham 35% de chance de alteração cromossômica — contra 1% nos demais. Era uma observação clínica direta, sem cálculo de risco, sem combinação com outros exames, sem bioquímica. Uma medida. Um corte. Uma conclusão.

Acompanhei essa evolução ao longo de mais de 20 anos de prática. Em 1992, o critério era binário. Hoje, o resultado da TN é inserido num cálculo que incorpora a idade materna, o comprimento do bebê, marcadores bioquímicos no sangue da mãe, e o fluxo em vasos como o ducto venoso e a válvula tricúspide do feto. O risco deixou de ser uma resposta binária — passou a ser um número individual, calibrado para cada gestação.

Essa evolução reflete uma compreensão muito mais sofisticada do que está acontecendo naquele espaço atrás da nuca do bebê — e de por que ele aumenta em tantas condições diferentes.

Um registro histórico merece ser feito: entre os co-autores do artigo original de Nicolaides estava o Dr. Carlos Mansur, médico de Curitiba que realizava fellowship em Londres naquele período. A medicina fetal nunca esteve tão distante de nós quanto pode parecer.

O que a TN avalia — e o que ela não faz

Rastreamento de alterações cromossômicas

A translucência nucal aumentada está associada a risco elevado de cromossomopatias: síndrome de Down (trissomia 21), síndrome de Edwards (trissomia 18), síndrome de Patau (trissomia 13), síndrome de Turner e outras aneuploidias. O rastreio não confirma essas condições — ele identifica fetos para os quais a investigação adicional é necessária.

Rastreamento de malformações estruturais em fetos cromossomicamente normais

A TN também aumenta em fetos com anomalias estruturais e cromossomos normais. Essa foi exatamente a questão que investiguei na minha dissertação de mestrado defendida na UNIFESP em 2005: a translucência nucal como rastreio de cardiopatias congênitas em fetos sem alteração cromossômica. Os resultados mostraram que fetos com TN elevada e cariótipo normal tinham risco significativamente maior de cardiopatia congênita — dados que publicamos nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em 2006.

Além de cardiopatias, a TN aumentada pode estar associada a hérnia diafragmática, displasias esqueléticas, higroma cístico e infecções fetais, entre outras condições.

Rastreamento de síndromes genéticas não cromossômicas

Algumas síndromes com cromossomos normais — como a síndrome de Noonan — cursam frequentemente com TN aumentada. O rastreio pelo exame também contribui para a identificação dessas condições.

O que a TN não faz

A translucência nucal não diagnostica nenhuma dessas condições. Ela estima riscos. Um risco aumentado é um sinal para investigar, não uma conclusão. Muitos bebês com TN acima do esperado nascem completamente saudáveis.

Quando fazer o exame e qual a janela ideal

A medida da translucência nucal só pode ser realizada numa janela restrita: entre 11 semanas e 13 semanas e 6 dias de gestação, quando o comprimento do bebê da cabeça até a nádega (CCN, comprimento cabeça-nádegas) está entre 45 e 84 mm.

Antes de 11 semanas, o feto é pequeno demais para uma medida confiável. Depois de 14 semanas, o sistema linfático fetal começa a funcionar de forma mais eficaz, o líquido é reabsorvido e a janela se fecha — o espaço nucal deixa de ser translúcido ao ultrassom.

O momento ideal é entre 12 e 13 semanas. Nessa fase, além da medida da TN, já é possível realizar uma avaliação anatômica mais completa do bebê, identificando precocemente malformações que de outra forma só seriam detectadas no ultrassom morfológico do segundo trimestre.

Se você está entre 11 e 14 semanas e ainda não fez o exame, agende com urgência. É uma janela que não se repete.

Como é feito o exame — e por que a qualificação do examinador importa

O exame de translucência nucal é feito por ultrassonografia, na maioria dos casos pela via abdominal. Em cerca de 5% das gestações, a posição do bebê dificulta a obtenção de uma boa imagem e o exame pode ser complementado pela via transvaginal, sem nenhum risco para a gestação.

A medida exige técnica padronizada. O bebê precisa estar em posição neutra, em visão sagital, com os cursores posicionados com precisão na interface entre pele e tecido subcutâneo. A imagem precisa ser ampliada adequadamente — a cabeça e o tórax superior do feto devem ocupar pelo menos 75% da tela. A maior medida obtida em uma série de aquisições é a utilizada no cálculo de risco.

Qualquer variação nessa técnica pode gerar um resultado impreciso, com riscos superestimados ou subestimados. Por isso, o exame deve ser realizado por profissional com certificação específica e participação em programas de controle de qualidade — como o da Fetal Medicine Foundation (FMF), criada pelo próprio Prof. Nicolaides.

Um episódio relatado por um colega que fez fellowship com o Nicolaides em Londres ilustra bem esse ponto. Um feto com anencefalia — ausência da calota craniana, uma malformação grave — passou desapercebido na translucência nucal de um serviço e foi identificado apenas no segundo trimestre. Ao investigar, os médicos de Nicolaides encontraram que o exame havia sido feito no serviço deles e a malformação não tinha sido detectada. O caso mostra algo que a literatura já demonstra: a TN não é apenas uma medida — é o pretexto para uma avaliação cuidadosa da anatomia fetal. O examinador qualificado olha o bebê. Não apenas o número.

Quais são os valores normais da translucência nucal?

A medida da TN varia com a idade gestacional. Por isso, não existe um valor fixo de normalidade — o que existe é uma comparação com os valores esperados para cada comprimento fetal.

Considera-se a translucência nucal aumentada quando está acima do percentil 95 para o CCN do bebê naquele exame. O valor de 2,5 mm é frequentemente citado como referência, mas representa uma aproximação: um feto menor pode ter TN acima do percentil 95 com medida menor que 2,5 mm, e um feto maior pode estar dentro da normalidade com medida ligeiramente superior a esse corte.

A tabela abaixo, baseada em estudo de referência com população brasileira (Faria, 2004), mostra o percentil 95 da TN para cada comprimento fetal:

CCN (mm)Percentil 95 da TN (mm)
452,1
502,2
552,3
602,4
652,5
702,5
752,6
802,7
842,8

Para calcular o risco individualizado combinando TN e idade materna, utilize a Calculadora de Risco para Síndrome de Down disponível no fetalmed.net.

A TN é a ponta do iceberg: outros marcadores do primeiro trimestre

A translucência nucal é o marcador mais robusto do primeiro trimestre — mas não é o único. Examinadores certificados avaliam outros marcadores durante o mesmo exame de ultrassonografia, cada um acrescentando informação independente ao cálculo de risco.

Osso nasal: no primeiro trimestre, a ausência ou hipoplasia do osso nasal — quando ele é visível mas menor do que esperado — está presente em cerca de 60–70% dos fetos com síndrome de Down e em apenas 1–2% dos fetos cromossomicamente normais. Sua avaliação exige ângulo de insonação específico e técnica rigorosa. Não é um achado que aparece casualmente.

Ducto venoso: é o vaso que conecta a veia umbilical ao coração fetal. Normalmente, o fluxo no ducto venoso segue um padrão característico durante toda a fase cardíaca. Quando o fluxo está ausente ou invertido durante a contração atrial, o risco de cromossomopatia e de cardiopatia congênita aumenta significativamente — mesmo em fetos com TN dentro da normalidade.

Regurgitação tricúspide: o refluxo de sangue através da válvula tricúspide durante a contração ventricular está presente em cerca de 70% dos fetos com síndrome de Down no primeiro trimestre e em apenas 5% dos fetos cromossomicamente normais. É outro marcador cardíaco de alta relevância para o rastreio.

Quando esses marcadores são combinados com a TN e a bioquímica materna (PAPP-A e fração livre da β-hCG), a taxa de detecção da síndrome de Down supera 90% para uma taxa de falso-positivo de 5%. Esse é o desempenho do rastreio combinado de primeiro trimestre — quando realizado com técnica e qualidade adequadas.

Uma ressalva importante sobre a realidade brasileira: na maioria das cidades do Brasil, a dosagem de PAPP-A e fração livre da β-hCG no primeiro trimestre ainda não está disponível de forma rotineira. Isso significa que, na prática, a maioria das gestantes brasileiras não tem acesso ao rastreio combinado completo. Nesses casos, a qualidade da avaliação ultrassonográfica — TN, osso nasal, ducto venoso e tricúspide — torna-se ainda mais importante, porque é o que está efetivamente ao alcance do examinador para oferecer o melhor rastreio possível.

Infográfico com os seis marcadores do rastreio de primeiro trimestre: translucência nucal, osso nasal, ducto venoso, válvula tricúspide, PAPP-A e rastreio combinado com detecção superior a 90 por cento
Além da translucência nucal: os marcadores do primeiro trimestre e o rastreio combinado

RASTREIO ESPECIALIZADO

Está na janela de 11 a 14 semanas?

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A TN na era dos testes genéticos: o papel não diminuiu

Nos últimos anos, os testes genéticos não invasivos — NIPT (non-invasive prenatal testing) — ganharam espaço significativo no rastreio pré-natal. O NIPT analisa fragmentos do DNA fetal que circulam no sangue materno e tem alta sensibilidade para as trissomias mais comuns: síndrome de Down, Edwards e Patau.

Isso gerou uma pergunta legítima: se o NIPT é tão preciso para cromossomopatias, ainda vale a pena fazer a translucência nucal?

A resposta é sim — por razões que vão além do rastreio cromossômico.

Primeiro: a TN rastreia condições que o NIPT não detecta. Malformações estruturais — cardiopatias congênitas, hérnia diafragmática, displasias esqueléticas — não aparecem no resultado genético. A TN aumentada em feto com cariótipo normal é, com frequência, o primeiro sinal de uma dessas condições. Foi precisamente o que demonstrei na minha pesquisa de mestrado: fetos sem alteração cromossômica, mas com TN elevada, tinham risco significativamente maior de cardiopatia congênita — um risco que o NIPT não teria como identificar.

Segundo: a avaliação anatômica do bebê durante o exame de primeiro trimestre tem valor independente do NIPT. Dados publicados pela Sociedade Internacional de Diagnóstico Pré-natal em 2022 indicam que cerca de 50% das malformações estruturais maiores podem ser detectadas antes de 14 semanas em centros com experiência e técnica adequadas — incluindo virtualmente 100% das malformações letais.

O exame de translucência nucal, feito com qualidade e atenção à anatomia, ainda é a porta de entrada mais importante do rastreio pré-natal. Não porque o NIPT seja inferior, mas porque os dois exames se complementam — e o que o NIPT não vê, o ultrassom especializado do primeiro trimestre pode identificar.

Tabela de risco na translucência nucal: quando investigar mais?

A translucência nucal faz parte do rastreamento do primeiro trimestre, mas a decisão sobre investigar mais não deve ser tomada apenas pelo valor da TN em milímetros.

O mais adequado é calcular o risco individual pelo modelo da Fetal Medicine Foundation (FMF), que combina idade materna, idade gestacional, comprimento cabeça-nádega (CCN/CRL), translucência nucal e, quando disponíveis, outros marcadores ultrassonográficos e bioquímicos.

Muitos laudos usam o formato “1/100”, “1/500” ou “1/1000”, que pode parecer pouco intuitivo. Em termos práticos, 1/100 equivale a 1%, e 1/1000 equivale a 0,1%. Quanto menor o número depois da barra, maior é o risco estimado.

Risco calculado% aproximadaClassificaçãoConduta geralmente recomendada
> 1/100> 1%Alto riscoOferecer aconselhamento e discutir procedimento invasivo diagnóstico, como biópsia de vilo corial ou amniocentese, conforme idade gestacional e contexto clínico.
Entre 1/100 e 1/1000Entre 1% e 0,1%Risco intermediárioOferecer DNA fetal livre (NIPT / cell-free DNA) como rastreamento adicional. Se o resultado vier alterado, confirmar com exame diagnóstico invasivo.
< 1/1000< 0,1%Baixo riscoEm geral, não há indicação de investigação genética adicional apenas por esse rastreamento. O pré-natal segue com acompanhamento habitual e ultrassom morfológico do segundo trimestre.
Importante: a translucência nucal isolada não fecha diagnóstico. Ela é um dos componentes do cálculo de risco. Um risco alto não significa que o bebê tenha uma alteração cromossômica — significa que a chance estimada é alta o suficiente para justificar aconselhamento e discussão sobre teste diagnóstico. Da mesma forma, um risco baixo reduz muito a probabilidade, mas não zera completamente o risco. A interpretação deve ser feita por especialista em medicina fetal — se preferir, é possível agendar avaliação em medicina fetal em Curitiba.

TN aumentada: causas e próximos passos

Quando a TN está acima do percentil 95, o próximo passo é a investigação — organizada, criteriosa, sem precipitação.

Infográfico com as causas de translucência nucal aumentada: síndrome de Down, cardiopatia congênita, síndrome de Turner, hérnia diafragmática congênita, síndrome de Noonan e resolução espontânea transitória
O que a TN aumentada pode indicar — causas cromossômicas, estruturais e genéticas

Causas cromossômicas: síndrome de Down, síndrome de Edwards, síndrome de Patau, síndrome de Turner, triploidias. São as mais frequentemente associadas a TN muito aumentada.

Malformações estruturais em fetos cromossomicamente normais: cardiopatias congênitas, hérnia diafragmática congênita, displasias esqueléticas, higroma cístico, infecções fetais como parvovírus.

Síndromes genéticas não cromossômicas: síndrome de Noonan e outras condições com transmissão hereditária específica, que exigem investigação molecular além do cariótipo convencional.

TN aumentada sem causa identificada: em muitos casos, a translucência nucal acima do esperado se resolve espontaneamente e o bebê nasce saudável. Isso não significa ignorar o resultado — significa investigar com critério e acompanhar com atenção.

Quando a TN está alterada, o caminho habitual inclui:

  1. Avaliação com especialista em medicina fetal — confirmação da medida, avaliação dos marcadores complementares (osso nasal, ducto venoso, tricúspide), cálculo de risco integrado.
  2. Testes genéticos quando indicados — NIPT para triagem não invasiva; amniocentese ou biópsia de vilo corial para diagnóstico definitivo. A indicação depende do risco calculado e da preferência informada da família.
  3. Ecocardiografia fetal — indicada quando a TN está significativamente aumentada, independentemente do resultado cromossômico.
  4. Acompanhamento morfológico — o ultrassom morfológico do segundo trimestre complementa a avaliação e identifica alterações que se manifestam mais tarde na gestação.

Se após a avaliação completa a TN aumentada não tiver uma causa identificada — e o resultado for tranquilizador — o acompanhamento continua. A avaliação não é um portão de entrada só para más notícias. É um mapa.

QUANDO A TRANSLUCÊNCIA NUCAL MERECE AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA

  • Você está entre 11 e 14 semanas e ainda não fez o exame
  • O resultado da TN está acima do percentil 95 para o comprimento do seu bebê
  • O exame identificou ausência do osso nasal ou alteração no ducto venoso
  • Você recebeu laudos diferentes de profissionais diferentes sobre o mesmo exame
  • A TN estava normal, mas o morfológico levantou suspeita de cardiopatia ou outra malformação
  • Você quer entender o resultado antes de tomar qualquer decisão sobre exames genéticos

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Perguntas frequentes

Qual o valor normal da translucência nucal?
Não existe um valor fixo — a TN normal varia com o tamanho do bebê. Um feto com CCN de 45 mm tem TN normal abaixo de 2,1 mm; um feto com CCN de 84 mm tem TN normal abaixo de 2,8 mm. O critério correto é o percentil 95 para cada comprimento fetal, não um corte único de 2,5 mm. Esse valor de 2,5 mm é uma referência aproximada que continua sendo usada informalmente, mas não reflete a análise individualizada que o rastreio moderno exige.
TN aumentada significa que meu bebê tem síndrome de Down?
Não. A TN aumentada indica que o risco estatístico é maior — mas a maioria dos bebês com TN acima do percentil 95 é saudável. Para saber se há alteração cromossômica de fato, são necessários exames genéticos: NIPT para triagem não invasiva, ou biópsia de vilo corial e amniocentese para diagnóstico definitivo. A translucência nucal orienta a investigação; não a substitui.
A TN ainda é importante se vou fazer o NIPT?
Sim — por razões distintas. O NIPT detecta alterações cromossômicas com alta precisão, mas não avalia malformações estruturais: cardiopatias, hérnia diafragmática, displasias ósseas. A translucência nucal, junto com a avaliação anatômica do primeiro trimestre, identifica riscos que o NIPT simplesmente não consegue rastrear. Os dois exames se complementam.
Quem pode medir a translucência nucal?
Tecnicamente, qualquer profissional com ultrassom pode tentar. Mas a medida da TN exige técnica padronizada, certificação específica — como a oferecida pela Fetal Medicine Foundation (FMF) — e participação em programas de controle de qualidade. Examinadores certificados seguem critérios rigorosos e têm seus resultados auditados. Isso faz diferença direta na confiabilidade do resultado e na interpretação dos achados.
Perdi a janela da TN. E agora?
Se passou de 14 semanas, o exame de translucência nucal não é mais válido. Mas isso não significa que não há como rastrear. O NIPT pode ser feito em qualquer idade gestacional. O ultrassom morfológico do segundo trimestre avalia a anatomia fetal completa e pode identificar marcadores de risco cromossômico e estrutural. A janela da TN fechou — mas outras avaliações estão disponíveis.
Qual a diferença entre translucência nucal e osso nasal?
São marcadores diferentes, avaliados no mesmo exame de ultrassonografia. A translucência nucal mede a espessura do líquido atrás da nuca do feto. O osso nasal avalia se o osso nasal está presente e com tamanho adequado para a idade gestacional. Ambos são marcadores independentes de risco para síndrome de Down — e quando avaliados juntos, com os demais marcadores do primeiro trimestre e a bioquímica materna, o poder de detecção do rastreio combinado supera 90%.
Posso fazer o rastreio de primeiro trimestre em teleconsulta?
A medida da TN e a avaliação anatômica precisam ser feitas presencialmente por ultrassonografia. Mas se você já realizou o exame e tem dúvidas sobre o resultado — ou quer discutir se exames complementares são indicados —, a teleconsulta com especialista em medicina fetal é uma forma válida e eficiente de obter orientação, sem precisar viajar para isso.
O que significa risco 1/100 na translucência nucal?
Risco 1/100 significa aproximadamente 1%. Em outras palavras, dentro daquele cálculo de rastreamento, estima-se 1 chance em 100 de determinada alteração. Esse resultado é considerado de alto risco e geralmente justifica aconselhamento especializado e discussão sobre exame diagnóstico, como biópsia de vilo corial ou amniocentese.
O que significa risco 1/1000 no rastreamento do primeiro trimestre?
Risco 1/1000 significa aproximadamente 0,1%. É considerado baixo risco. Em geral, quando o risco calculado é menor que 1/1000, não há indicação de investigação genética adicional apenas por esse rastreamento, mas o pré-natal deve seguir com os exames habituais, incluindo o ultrassom morfológico.
Quando o DNA fetal livre/NIPT é indicado depois da translucência nucal?
O DNA fetal livre, também chamado de NIPT ou cell-free DNA, costuma ser indicado quando o risco calculado fica em uma faixa intermediária, por exemplo entre 1/100 e 1/1000. Ele é um teste de rastreamento mais refinado, sem risco de perda gestacional. Se vier alterado, o resultado deve ser confirmado por exame diagnóstico invasivo.

Referências

  1. Nicolaides KH, Azar G, Byrne D, Mansur C, Marks K. Fetal nuchal translucency: ultrasound screening for chromosomal defects in first trimester of pregnancy. BMJ. 1992;304(6831):867-9.
  2. Snijders RJM, Noble P, Sebire N, Souka A, Nicolaides KH. UK multicentre project on assessment of risk of trisomy 21 by maternal age and fetal nuchal translucency thickness at 10–14 weeks of gestation. Lancet. 1998;351(9106):343-6.
  3. Nicolaides KH. First-trimester screening for chromosomal abnormalities. Semin Perinatol. 2005;29(4):190-4.
  4. Sonek JD. First trimester ultrasonography in screening and detection of fetal anomalies. Am J Med Genet Part C Semin Med Genet. 2007;145C:45-61.
  5. Bruns RF. Translucência nucal no rastreamento de cardiopatias congênitas em fetos cromossomicamente normais [dissertação de mestrado]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; 2005. Disponível em: repositorio.unifesp.br
  6. Bruns RF et al. Translucência nucal e cardiopatias congênitas em fetos cromossomicamente normais. Arq Bras Cardiol. 2006. doi.org/10.1590/S0066-782X2006001600013
  7. Hui L, Johnson JA, Norton ME. ISPD 2022 debate — When offering a first trimester ultrasound at 11+0 to 13+6 weeks, a detailed review of fetal anatomy should be included. Prenat Diagn. 2023;43:421-427.
  8. Faria M. Translucência nucal: intervalos de referência na população brasileira.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica presencial ou por telemedicina com avaliação individualizada. Para teleconsulta, aplicam-se as disposições da Resolução CFM 2.314/2022. Prof. Dr. Rafael Frederico Bruns — CRM-PR | CRM-RS. Medicina Fetal e Cirurgia Fetal.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal
Dr. Rafael Bruns
Medicina Fetal

Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, além do acompanhamento de gestações de alto risco.

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