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Cirurgia fetal: quando é indicada e o que esperar
Cirurgia Fetal 10 min de leitura

Cirurgia fetal: quando é indicada e o que esperar

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 10 min de leitura

Cirurgia Fetal

Receber um diagnóstico fetal que levanta a possibilidade de cirurgia antes do nascimento muda o tom de toda a gestação. Este artigo explica como essa decisão é tomada: quais condições têm indicação estabelecida, quais critérios precisam ser atendidos e o que acontece no processo de avaliação.

Importante: as informações aqui têm caráter educativo. A indicação de cirurgia fetal depende de avaliação clínica individualizada — imagens, laudos e contexto específico de cada gestação.

Dr. Rafael Bruns — cirurgia fetal: quando é indicada
Cirurgia fetal: a decisão sobre intervir antes do nascimento segue critérios rigorosos e avaliação individualizada.

Por que intervir antes do nascimento?

A lógica da cirurgia fetal parte de uma observação clínica: algumas malformações congênitas causam dano progressivo durante a própria gestação. Quanto mais tempo passa, maior o estrago. Esperar o nascimento, nesses casos, significa chegar ao parto com um problema que poderia ter sido menor — ou evitado.

O exemplo mais claro é a mielomeningocele (espinha bífida aberta). A medula fica exposta ao líquido amniótico, que vai se tornando quimicamente mais agressivo ao longo da gestação. Operar antes do parto significa reduzir a extensão desse dano.

O mesmo princípio vale para cada condição que tem indicação cirúrgica fetal estabelecida: o dano se acumula enquanto a gestação avança, e a janela de intervenção é limitada por semanas gestacionais específicas.

Cirurgia fetal não é uma opção experimental. Para determinadas condições, é a abordagem com melhor evidência disponível — respaldada por ensaios clínicos randomizados publicados no New England Journal of Medicine.

Critérios gerais para indicar cirurgia fetal

Desde 1982, a International Fetal Medicine and Surgery Society (IFMSS) sistematizou os requisitos que uma condição precisa atender para justificar intervenção cirúrgica intraútero. Esses critérios orientam a prática clínica até hoje:

  • A condição precisa resultar de um defeito estrutural que interfere no desenvolvimento de um órgão — e a correção deve ter potencial de normalizar ou melhorar esse desenvolvimento
  • A história natural da doença no feto não tratado precisa estar bem documentada
  • O diagnóstico pré-natal deve ser preciso e capaz de estratificar a gravidade
  • Não deve existir alternativa pós-natal igualmente eficaz
  • A fisiopatologia e a viabilidade técnica da intervenção devem ter sido validadas em modelos experimentais
  • O procedimento deve ser realizado por equipe multidisciplinar especializada

Na prática, isso significa que cirurgia fetal não é indicada para qualquer malformação — apenas para aquelas em que a intervenção intraútero oferece vantagem comprovada sobre o tratamento pós-natal.

Seis condições fetais com indicação de cirurgia fetal: STFF, mielomeningocele, HDC, LUTO, anemia fetal e EXIT
Condições com indicação estabelecida de cirurgia fetal — cada uma tem critérios específicos de elegibilidade e janela gestacional.

Condições com indicação estabelecida de cirurgia fetal

Síndrome de transfusão feto-fetal (STFF)

A STFF ocorre em gestações de gêmeos monocoriônicos e afeta entre 10 e 15% dessas gestações. Sem tratamento, a mortalidade perinatal nos casos graves chega a 70–100%. Com ablação fetoscópica a laser das anastomoses placentárias, a sobrevida de ao menos um feto supera 90% e de ambos alcança aproximadamente 70%.

O procedimento é realizado entre 16 e 26 semanas, por acesso fetoscópico com câmera de 3 mm. A janela é estreita e o timing importa: nos estágios mais avançados, o quadro pode progredir em dias.

Mielomeningocele (MMC)

O estudo MOMS (2011) comparou a correção cirúrgica intraútero com o reparo pós-natal. A necessidade de derivação ventrículo-peritoneal caiu de 82% para 40% nos operados antes do nascimento; a proporção de crianças que caminham independentemente aos 30 meses passou de 21% para 42%.

A indicação segue critérios rígidos: lesão entre T1 e S1 com herniação de Chiari, gestação única, cariótipo normal e janela gestacional de 19 a 27 semanas. A experiência brasileira, documentada por Moron et al. no BJOG, estende a janela original do MOMS (até 26 semanas) em uma semana.

A cirurgia pode ser realizada por técnica aberta (histerotomia) ou fetoscópica (minimamente invasiva), com resultados pediátricos equivalentes.

Hérnia diafragmática congênita (HDC)

Na HDC, órgãos abdominais migram para o tórax e comprimem os pulmões em desenvolvimento. O procedimento FETO — um balão introduzido na traqueia entre 27 e 30 semanas — estimula o crescimento pulmonar. O estudo TOTAL demonstrou sobrevida de 40% nos casos graves submetidos ao FETO, contra 15% no grupo de manejo expectante. O balão é retirado antes do parto.

Obstrução do trato urinário inferior (LUTO / válvula de uretra posterior)

A obstrução impede o esvaziamento normal da bexiga, o líquido amniótico reduz e os pulmões ficam comprometidos. O shunt vesico-amniótico (SVA), colocado entre 18 e 24 semanas, conecta a bexiga fetal à cavidade amniótica. A sobrevida com SVA vai de 40% a 70%, dependendo da gravidade inicial.

Anemia fetal grave

A transfusão intraútero (TIU) é o procedimento fetal mais realizado no mundo. A indicação ocorre quando a velocidade de pico sistólico da artéria cerebral média supera 1,5 MoM. O acesso é por punção da veia umbilical entre 18 e 35 semanas. Em fetos hidrópicos que respondem à transfusão, a sobrevida alcança 95%.

AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA

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A primeira consulta pode ser por telemedicina — revisão de laudos e imagens sem precisar viajar.

O que acontece no processo de avaliação

A indicação de cirurgia fetal nunca parte de um único exame. O processo começa pela confirmação diagnóstica — revisão de laudos, ecografias especializadas e, quando necessário, ressonância magnética fetal ou análise do cariótipo.

Se os critérios estão atendidos, a discussão com a família passa para o risco do procedimento versus o risco de não tratá-lo. Toda cirurgia fetal carrega risco de trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e complicações maternas. Esses riscos precisam ser avaliados em relação ao que acontece sem intervenção — que, nas condições com indicação estabelecida, é geralmente mais grave.

A decisão final é da família. O papel da equipe é garantir que essa decisão seja tomada com toda a informação disponível.

Se a cirurgia não for indicada para o seu caso

Nem todo diagnóstico de malformação fetal leva à cirurgia. E uma avaliação que conclui pela não indicação não é uma avaliação sem resultado — é uma avaliação que entrega um mapa.

Quando os critérios não são atendidos, o acompanhamento continua com um plano: orientar o melhor momento e o local do parto, coordenar com a equipe neonatal e definir o que o bebê vai precisar nas primeiras horas de vida. Para muitas condições fetais, esse planejamento detalhado do parto é o que mais muda o desfecho.

Se você mora fora de Curitiba ou Porto Alegre, a primeira consulta pode ser por telemedicina.

⚠ QUANDO BUSCAR AVALIAÇÃO COM ESPECIALISTA EM CIRURGIA FETAL

  • O morfológico identificou mielomeningocele, hérnia diafragmática ou malformação urinária grave
  • Gestação gemelar monocoriônica com diagnóstico ou suspeita de STFF
  • Anemia fetal com VPS-ACM acima de 1,5 MoM ou hidropsia fetal
  • Laudos diferentes de profissionais diferentes sobre a mesma condição
  • Quer saber se o caso se enquadra nos critérios de elegibilidade

Atendimento presencial em Curitiba e Porto Alegre. Teleconsulta disponível para pacientes de qualquer estado.

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Perguntas frequentes

O que é cirurgia fetal e como difere da cirurgia neonatal?
Cirurgia fetal é qualquer intervenção realizada no feto ainda dentro do útero. Em algumas condições, como a mielomeningocele, o dano se acumula durante a gestação e não pode ser revertido após o nascimento. A intervenção intraútero muda o quanto de dano ocorre.
Quais são as principais condições com indicação de cirurgia fetal?
STFF, mielomeningocele, hérnia diafragmática congênita grave (FETO), obstrução grave do trato urinário inferior (válvula de uretra posterior), anemia fetal grave e determinadas complicações de gestações gemelares monocoriônicas. Cada condição tem critérios de elegibilidade e janela gestacional próprios.
A cirurgia fetal garante que o bebê vai nascer saudável?
Não. O que a cirurgia faz é melhorar as probabilidades — reduzir a gravidade de um desfecho que, sem intervenção, seria pior. É importante que as expectativas sejam calibradas antes da decisão.
Onde é realizada a cirurgia fetal no Paraná e no Rio Grande do Sul?
O Prof. Dr. Rafael Bruns realiza cirurgias fetais em Curitiba e Porto Alegre. Consultas de avaliação e segunda opinião estão disponíveis também por telemedicina para pacientes de qualquer estado.
A cirurgia fetal oferece riscos para a mãe?
Sim. As cirurgias fetais abertas têm taxa de complicações maternas em torno de 20%, incluindo parto prematuro e ruptura de membranas. Os procedimentos fetoscópicos têm perfil de risco significativamente menor — em torno de 6%. O risco é sempre avaliado em relação ao risco de não intervir.

Referências

  1. Adzick NS, Thom EA, Spong CY, et al. A randomized trial of prenatal versus postnatal repair of myelomeningocele. N Engl J Med. 2011;364(11):993-1004.
  2. Senat MV, Deprest J, Boulvain M, et al. Endoscopic laser surgery versus serial amnioreduction for severe twin-to-twin transfusion syndrome. N Engl J Med. 2004;351(2):136-144.
  3. Evans LL, Harrison MR. Modern fetal surgery — a historical review. Transl Pediatr. 2021;10(5):1401-1417.
  4. Varthaliti A, Pergialiotis V, Theodora M, et al. Advances in fetal surgery: a narrative review. Medicina. 2025;61(7):1136.
  5. Deprest JA, Nicolaides KH, Benachi A, et al. Randomized trial of fetal surgery for severe left diaphragmatic hernia. N Engl J Med. 2021;385(2):107-118.
  6. Sala P, Prefumo F, Pastorino D, et al. Fetal surgery: an overview. Obstet Gynecol Surv. 2014;69(4):218-228.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica presencial ou por telemedicina com avaliação individualizada.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal
Dr. Rafael Bruns
Medicina Fetal

Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, além do acompanhamento de gestações de alto risco.

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