Curitiba — Doc Batel
Porto Alegre — Inst. Celso Rigo
CRM-PR 18.582 · RQE 12.169 / 238
CRM-RS 58.559 · RQE 45.076 / 45.079
Dr. Rafael Bruns
Onde atendo
Curitiba

Consultório Doc Batel

Av. Visc. de Guarapuava, 4628 — Batel

Hospital Nossa Sra. das Graças

Porto Alegre

Instituto Materno Fetal Celso Rigo

Av. Independência, 75

Hospital Nora Teixeira

Agendar consulta
Hérnia diafragmática congênita: a história de Fernanda e Pedro
Cirurgia Fetal 10 min de leitura

Hérnia diafragmática congênita: a história de Fernanda e Pedro

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 10 min de leitura

Cirurgia Fetal

Fernanda descobriu que seu filho tinha hérnia diafragmática congênita à direita com 17 semanas. Esta é a história do diagnóstico, do balão traqueal e da recuperação de Pedro.

Todos os nomes foram alterados para proteger a privacidade dos envolvidos. O relato foi autorizado pela família.

O diagnóstico: das primeiras suspeitas à confirmação

Na ecografia de translucência nucal, por volta das 12 semanas, o médico que acompanhava Fernanda identificou uma alteração no ducto venoso — um achado que pode estar associado a síndromes cromossômicas. Foram semanas de angústia sem respostas definitivas.

Com 17 semanas, durante uma ecografia detalhada, veio o diagnóstico: hérnia diafragmática congênita à direita. Na HDC, uma abertura no diafragma permite que órgãos abdominais — como o fígado e as alças intestinais — migrem para o tórax e comprimam os pulmões em formação. A variante à direita é particularmente rara.

O ecografista foi direto: o prognóstico era muito reservado.

“Ele falou que meu filho não sobreviveria”, lembra Fernanda. “Eu decidi seguir em frente.”

A busca por tratamento — e a importância de operar perto de casa

Fernanda foi encaminhada a um especialista em medicina fetal em outro estado, que avaliou o caso e estimou uma chance de sobrevida entre 3% e 4%, com indicação de cirurgia intrauterina. O procedimento, no entanto, exigiria que Fernanda se deslocasse para outra cidade, longe da família, da rede de apoio e do obstetra que a acompanhava.

As semanas foram passando enquanto a operadora de saúde analisava a liberação. O prazo máximo para a cirurgia de oclusão traqueal fetal (FETO) — por volta de 26 a 27 semanas — se aproximava.

Foi então que, por indicação da própria operadora, Fernanda descobriu que havia uma equipe especializada em cirurgia fetal em Curitiba, na sua cidade — uma equipe que já realizava esse tipo de procedimento há anos, inclusive pelo SUS.

“Eu não sabia que existia uma equipe aqui”, conta Fernanda. “Fiquei desesperada procurando fora e a solução estava no quintal de casa.”

A proximidade fez diferença em tudo: Fernanda pôde manter seu obstetra, ficar perto da família, e a logística do acompanhamento semanal — fundamental em casos de HDC — se tornou viável. Não precisou se instalar sozinha em outra cidade, grávida, com uma gestação de alto risco.

A cirurgia fetal: o balão traqueal

Na consulta inicial, a equipe explicou o procedimento com clareza: como funcionava o balão, quais eram as chances, quais eram os riscos e o que esperar depois. Fernanda viu vídeos de casos anteriores e entendeu cada etapa.

Dr. Rafael Bruns: “Em uma HDC grave, sem intervenção, a hipoplasia pulmonar pode ser incompatível com a vida. A oclusão traqueal fetal não é uma garantia — é uma tentativa de estimular o crescimento dos pulmões enquanto ainda há tempo. A família precisa entender isso antes de decidir.”

A colocação do balão traqueal foi realizada com 28 semanas de gestação. Um fetoscópio — instrumento fino introduzido por uma pequena incisão no abdome materno — é usado para posicionar um balão na traqueia do feto. Esse balão retém o líquido pulmonar, estimulando o crescimento dos pulmões comprimidos pela hérnia.

A retirada do balão aconteceu com 34 semanas. Ambos os procedimentos correram bem.

Hérnia diafragmática congênita

Se seu bebê recebeu esse diagnóstico, a avaliação pode começar por telemedicina

Segunda opinião por telemedicina — Resolução CFM 2.314/2022.

Entender o que é possível fazer

O suporte da equipe

Um aspecto importante desse período foi o acompanhamento próximo. Fernanda recebia mensagens semanais, tinha acesso direto por celular e, quando algum membro da equipe precisava viajar, outro entrava em contato para garantir que ela não ficasse desassistida.

“A gente sentia que tinha alguém ali o tempo todo”, diz Fernanda. “Qualquer momento eu poderia entrar em trabalho de parto, e eles sabiam disso.”

O nascimento e a UTI: 60 dias

A cesárea estava programada, mas Fernanda entrou em trabalho de parto antes do previsto. Pedro nasceu com 35 semanas e 6 dias — prematuro, mas viável.

Aos oito dias de vida, Pedro passou pela cirurgia de correção da hérnia diafragmática, realizada pela equipe de cirurgia pediátrica. A operação correu bem.

Começou então a fase mais longa: a recuperação na UTI Neonatal. Pedro ficou 60 dias internado. Nos primeiros 30 dias, permaneceu intubado. Depois, foi para cânula nasal com oxigênio suplementar — que era reduzido gradativamente, semana a semana.

A previsão inicial era de 3 a 4 meses de UTI. Pedro surpreendeu.

No dia em que completou dois meses de vida, Fernanda chegou à UTI e viu que o monitor de oxigenação de Pedro estava desligado. Entrou em desespero — até que a equipe de enfermagem saiu da central com um bolo, cantando parabéns: Pedro estava respirando em ar ambiente, sem nenhuma ventilação mecânica.

“Eu não acreditei”, lembra Fernanda. “Uma criança que não tinha percentual de vida estava ali, respirando sozinha.”

Pedro recebeu alta da UTI poucos dias depois.

Como está Pedro hoje

Pedro está com um ano e meio. Corre, brinca, come e se desenvolve normalmente. Não tem sequelas neurológicas. A pneumologista e a neurologista acompanham de rotina — até agora, tudo normal.

“As pessoas ficam surpresas quando eu conto que ele passou por uma cirurgia antes de nascer”, diz Fernanda. “Eu faço questão de contar porque acho que outras famílias precisam saber que isso existe.”

É exatamente essa a razão deste relato.

O que esta história ensina

O caso de Fernanda e Pedro ilustra vários aspectos do caminho que famílias percorrem diante de um diagnóstico de HDC:

  1. Diagnóstico precoce — a alteração foi detectada já no primeiro trimestre, e o diagnóstico confirmado com 17 semanas
  2. Busca ativa por tratamento — nem sempre a primeira equipe que aparece é a mais adequada; vale pesquisar opções, inclusive na própria cidade
  3. Operar perto de casa — a proximidade da família, da rede de apoio e do obstetra fez diferença real na gestação de alto risco
  4. Balão traqueal (FETO) — o procedimento que pode estimular o crescimento pulmonar, sem garantir que será suficiente
  5. Seguimento multidisciplinar — do diagnóstico ao pós-parto, passando por medicina fetal, cirurgia pediátrica, neonatologia e reabilitação

Cada caso é individual. O prognóstico da HDC depende de vários fatores — lado da hérnia, grau de hipoplasia pulmonar, presença de outras malformações — e o balão traqueal não é indicado nem possível em todas as situações. Mas o acesso ao diagnóstico e ao tratamento faz diferença.

Quando procurar avaliação especializada

Procure avaliação especializada se:

  • O ultrassom morfológico mostrou suspeita ou diagnóstico de hérnia diafragmática
  • O médico que acompanha sua gestação mencionou que os órgãos abdominais do bebê estão no tórax
  • Você recebeu um valor de LHR (relação pulmão-cabeça) e quer entender o que significa — use também a calculadora de prognóstico
  • Você deseja uma segunda opinião sobre o acompanhamento ou a indicação de cirurgia fetal

O diagnóstico de HDC exige avaliação especializada para definir a gravidade e as opções de tratamento. A janela para a oclusão traqueal fetal tem limite — entre 27 e 30 semanas, na maioria dos protocolos. A avaliação pode começar por telemedicina.

Perguntas frequentes

O que é a hérnia diafragmática congênita (HDC)?

A HDC é uma malformação em que o diafragma do bebê não se forma completamente, permitindo que órgãos abdominais migrem para o tórax e comprimam os pulmões em desenvolvimento. Pode ser diagnosticada no ultrassom morfológico.
O que é o balão traqueal (FETO)?

A oclusão traqueal endoscópica fetal (FETO) é um procedimento minimamente invasivo em que um pequeno balão é colocado na traqueia do feto por fetoscopia. O balão retém o líquido pulmonar, estimulando o crescimento dos pulmões comprimidos pela hérnia. Ele é retirado algumas semanas depois, antes do parto.
O balão traqueal garante que o bebê sobreviva?

Não. O FETO é o tratamento com melhor evidência científica para HDC grave, mas o resultado depende de vários fatores — grau de hipoplasia pulmonar, lado da hérnia, presença de outras malformações. É fundamental que a família compreenda os benefícios e os limites antes de decidir.
Até que idade gestacional o FETO pode ser feito?

A colocação do balão costuma ser realizada entre 27 e 30 semanas de gestação, e a retirada entre 32 e 34 semanas. A janela depende da gravidade do caso e do protocolo da equipe. Por isso o diagnóstico e o encaminhamento precoces são fundamentais.
O plano de saúde cobre a cirurgia fetal de HDC?

A cobertura varia entre operadoras. Em alguns casos, é necessário recorrer a vias administrativas ou judiciais para garantir a autorização. A orientação jurídica especializada pode ajudar a acelerar esse processo.
A avaliação pode começar por telemedicina?

Sim. A consulta inicial com o especialista em medicina fetal pode ser realizada por telemedicina, com análise dos exames já realizados. Se houver indicação de procedimento, o acompanhamento presencial será necessário.
O que acontece depois que o bebê nasce com HDC?

Após o nascimento, o bebê geralmente precisa de intubação e suporte ventilatório na UTI Neonatal. A cirurgia de correção da hérnia é realizada nos primeiros dias de vida, quando o bebê estiver estável. O tempo de internação varia conforme a gravidade — pode ser de semanas a meses.

Avaliação especializada

Hérnia diafragmática congênita: entenda as opções para o seu caso

Se você recebeu esse diagnóstico e quer entender as opções disponíveis — incluindo se há indicação de intervenção fetal —, solicite uma avaliação. Atendo em Curitiba, Porto Alegre e por telemedicina.

Curitiba
Porto Alegre
Telemedicina

Referências

  1. Deprest JA et al. Randomized trial of fetal surgery for severe left diaphragmatic hernia. N Engl J Med. 2021;385(2):107-118. (TOTAL trial)
  2. Deprest JA et al. Randomized trial of fetal surgery for moderate left diaphragmatic hernia. N Engl J Med. 2021;385(2):119-129. (TOTAL trial)
  3. Sbragia L et al. Congenital diaphragmatic hernia in the FETO era: a Brazilian national survey. Clinics (Sao Paulo). 2020;75:e1507.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica presencial ou por telemedicina com avaliação individualizada.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal

Dr. Rafael Bruns
Gin. e Obstetrícia
Medicina Fetal

Médico especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Medicina Fetal. Atua com cirurgia fetal desde 2016 em Curitiba e Porto Alegre.

MÉDICO · CRM-PR 18.582
Ginecologia e Obstetrícia · RQE PR 12.169
Medicina Fetal · RQE PR 238

MÉDICO · CRM-RS 58.559
Ginecologia e Obstetrícia · RQE RS 45.076
Medicina Fetal · RQE RS 45.079