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Placenta prévia: o que a gestante precisa saber
Medicina Fetal 18 min de leitura

Placenta prévia: o que a gestante precisa saber

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 18 min de leitura

Complicações placentárias

A placenta prévia é uma condição em que a placenta se implanta na parte inferior do útero, cobrindo parcial ou totalmente o colo uterino. Entender o que o diagnóstico realmente significa — e o que ele não significa — faz diferença no acompanhamento e no desfecho.

O essencial: a maioria dos casos de “placenta baixa” diagnosticados no segundo trimestre se resolve espontaneamente. Quando a placenta prévia persiste até o terceiro trimestre, o acompanhamento especializado e o planejamento antecipado do parto são o que mais impacta o desfecho.
Ultrassom transvaginal mostrando placenta prévia — a placenta cobre o orifício interno do colo uterino
Ultrassom transvaginal evidenciando placenta prévia: a placenta recobre o orifício interno do colo uterino. A via transvaginal é mais precisa que a abdominal para medir a distância entre a borda placentária e o colo. Imagem do arquivo pessoal do Dr. Rafael Bruns.

O que é placenta prévia — e como é classificada

A placenta prévia ocorre quando a placenta se implanta no segmento uterino inferior — a porção mais baixa do útero — e sua borda alcança ou cobre o colo uterino, estrutura que se abre durante o trabalho de parto. Isso compromete a passagem do bebê pelo canal vaginal quando a cobertura é total e pode provocar sangramento à medida que o segmento inferior se expande no terceiro trimestre.

A classificação adotada por grupos internacionais de especialistas baseia a definição na distância entre a borda placentária e o orifício interno do colo:

  • Posição normal: borda a 20 mm ou mais do orifício interno — sem risco relacionado à posição
  • Placenta de inserção baixa: borda a menos de 20 mm do orifício, sem cobri-lo
  • Placenta prévia: borda que alcança ou cobre o orifício interno do colo

Esse critério de 20 mm é válido a partir de 16 semanas — antes disso, a relação entre placenta e colo ainda é muito variável para ter significado clínico definitivo.




Clique nas abas para ver os tipos de placenta prévia




Ilustração da posição normal da placenta — placenta implantada no fundo uterino, longe do colo

Posição normal: a placenta está implantada no fundo ou corpo do útero, longe do colo uterino. Esta é a localização habitual e não traz riscos relacionados à posição placentária.

Ilustração de placenta prévia marginal — borda da placenta tangencia o orifício interno do colo

Posição marginal: a borda da placenta chega até a margem do orifício interno do colo uterino, sem cobri-lo. Pode resolver espontaneamente com o crescimento do útero.

Ilustração de placenta prévia parcial — placenta cobre parcialmente o orifício interno do colo uterino

Posição parcial: a placenta cobre parcialmente o orifício interno do colo. O parto vaginal geralmente não é recomendado nessa situação.

Ilustração de placenta prévia total — placenta cobre completamente o orifício interno do colo uterino

Posição total: a placenta cobre completamente o orifício interno do colo uterino. A cesárea é obrigatória. É o tipo de maior risco para sangramento.

Ilustração: Dr. Rafael Bruns — Tipos de placenta prévia conforme a relação com o orifício interno do colo uterino.

Importante: nem toda placenta baixa no segundo trimestre será placenta prévia ao final da gestação. Quando a placenta prévia coexiste com cicatrizes de cesárea anterior, existe risco aumentado de acretismo placentário — condição em que a placenta invade a parede uterina de forma anormal e não se desola adequadamente após o parto.

Por que a posição muda ao longo da gestação

A placenta prévia não é uma posição permanente. O útero cresce progressivamente, e o segmento inferior se expande de forma importante no segundo e terceiro trimestres. Esse crescimento “afasta” a borda placentária do colo na maioria das gestações — um fenômeno chamado de migração placentária.

A migração ocorre em média na velocidade de 5,4 mm por semana durante o segundo trimestre. Mais de 98% dos casos de placenta baixa ou prévia identificados antes de 26 semanas se resolvem antes do parto. Em números mais concretos: de todas as gestantes com diagnóstico de placenta prévia entre 20 e 24 semanas, apenas 5 a 10% ainda terão placenta prévia confirmada entre 34 e 36 semanas.

Isso explica por que um laudo de “placenta baixa” no morfológico gera angústia muitas vezes desnecessária — e por que o diagnóstico definitivo só pode ser estabelecido no terceiro trimestre.

Diagnóstico precoce não significa desfecho grave. Significa que o acompanhamento precisa ser mais atento e que a reavaliação ultrassonográfica é indispensável.

Quem tem mais risco

A placenta prévia acomete aproximadamente 0,5 a 1% das gestações globalmente, mas sua incidência tem aumentado — consequência direta do crescimento nas taxas de cesárea e do uso de técnicas de reprodução assistida.

Alguns fatores aumentam significativamente a probabilidade de implantação placentária baixa — e especialmente de que ela persista até o termo:

  • Cesáreas anteriores: cada cesárea deixa cicatriz no segmento uterino inferior, alterando a vascularização e a superfície de implantação nas gestações seguintes. O risco aumenta progressivamente com o número de cirurgias
  • Cirurgias uterinas prévias: miomectomia, curetagem, ressecção de pólipos intracavitários, remoção manual de placenta anterior
  • Fertilização in vitro (FIV): as técnicas de transferência embrionária estão associadas a maior frequência de implantação baixa
  • Gestação gemelar: placentas maiores têm maior probabilidade de alcançar o segmento inferior — saiba mais no artigo sobre gestação gemelar e seus riscos
  • Multiparidade e idade materna acima de 35 anos
  • Tabagismo e uso de cocaína na gestação
  • Histórico de placenta prévia em gestações anteriores

A relação entre cesárea e complicações placentárias merece atenção especial. Em gestantes com placenta prévia e sem cesárea prévia, o risco de acretismo associado é de aproximadamente 3%. Com três ou mais cesáreas anteriores, esse risco pode superar 60%. É uma das razões pelas quais a indicação criteriosa de cesárea importa — não apenas para a gestação atual, mas para as futuras.

Como é diagnosticada

O diagnóstico é feito por ultrassom — o padrão-ouro para avaliação da localização placentária. Diferentes abordagens se complementam conforme a semana gestacional e o contexto clínico.

Ultrassom transabdominal de rotina

A posição da placenta é documentada em todos os ultrassons obstétricos. Quando a borda inferior está próxima ou sobre o colo, isso é registrado e reavaliado. O morfológico do segundo trimestre já identifica a localização placentária com boa precisão — mas a visualização pode ser limitada por posição fetal, obesidade ou volume vesical insuficiente.

Ultrassom transvaginal: o exame de referência

Quando há suspeita de placenta prévia, o ultrassom transvaginal mede com exatidão a distância entre a borda placentária e o orifício interno do colo. A sonda transvaginal permite visualizar o segmento inferior sem a interferência do tecido adiposo ou da posição fetal. É seguro: a via transvaginal não alcança o colo uterino e estudos controlados não mostram aumento de sangramento associado ao exame.

Doppler colorido e avaliação do segmento inferior

O Doppler colorido tem papel central quando há suspeita de acretismo placentário associado. Avalia a vascularização retroplacentária e da interface útero-bexiga, detecta vasos “pontes” entre placenta e bexiga (bridging vessels) e identifica lacunas intraplacentárias — os marcadores ultrassonográficos mais específicos e confiáveis de invasão anormal.

Na prática: o diagnóstico definitivo de placenta prévia só deve ser estabelecido no terceiro trimestre — idealmente após 28 semanas — com ultrassom transvaginal. Um laudo de segundo trimestre que menciona “placenta baixa” não é diagnóstico de placenta prévia e não deve ser tratado como tal antes da reavaliação programada.

SEGUNDA OPINIÃO

Recebeu diagnóstico de placenta prévia?

Envie seus exames e receba orientação especializada — presencial em Curitiba ou Porto Alegre, ou por teleconsulta.

Quando suspeitar de acretismo associado

A associação entre placenta prévia e cesárea anterior é o principal fator de risco para o espectro de acretismo placentário — condições em que a placenta adere ou invade anormalmente a parede uterina. A avaliação ultrassonográfica pré-operatória, realizada no terceiro trimestre, permite estratificar o risco cirúrgico antes do parto.

Os principais marcadores ultrassonográficos que orientam essa avaliação incluem:

  • Adelgaçamento miometrial: a parede uterina abaixo da placenta torna-se progressivamente mais fina nas gestantes com cicatrizes de cesárea. Espessuras menores que 1 mm indicam deiscência importante do segmento inferior
  • Perda da zona clara retroplacentária: a faixa hipoecogênica entre placenta e miométrio — quando ausente — é sinal precoce de invasão anormal
  • Protrusão (“bulge”) placentária: quando o segmento inferior está tão fino que a placenta projeta para além do contorno uterino em direção à bexiga, há risco elevado de lesão vesical durante a cesárea
  • Lacunas intraplacentárias: espaços vasculares irregulares dentro da placenta visíveis ao ultrassom em escala de cinza — são os marcadores mais específicos e confiáveis de acretismo placentário
  • Hipervascularização e bridging vessels: vasos que atravessam a interface útero-bexiga, identificados pelo Doppler colorido

Com base nesses achados, uma proposta de estratificação publicada no American Journal of Obstetrics and Gynecology em 2026 classifica o risco cirúrgico em três níveis:

Nível I — Complexidade padrão

Uma cesárea anterior. Deiscência focal do segmento inferior (<30% da superfície). Vascularização retroplacentária normal. Risco de hemorragia pós-parto abaixo de 50%, histerectomia abaixo de 10%. Equipe obstétrica experiente habitual.

Nível II — Complexidade aumentada

Duas ou mais cesáreas. Remodelação extensa do segmento inferior, deiscência >50% da superfície, protrusão placentária. Vascularização retroplacentária ainda normal. Risco de lesão vesical em torno de 5% e histerectomia em até 25%. Requer planejamento multidisciplinar antecipado.

Nível III — Alta complexidade

Placenta prévia com invasão (acreta). Lacunas intraplacentárias e hipervascularização retroplacentária ao Doppler. Risco de hemorragia acima de 2.000 mL, lesão vesical em até 15%, histerectomia em até 85%. Exige centro especializado com equipe experiente em espectro de acretismo.

O ultrassom pré-operatório define a estratégia cirúrgica. Quando os achados indicam alto risco, a equipe pode planejar a incisão, reservar hemoderivados, envolver urologia e anestesiologia com antecedência — e a gestante pode ser orientada com base em dados concretos, não em suposições.
Infografico comparando tres niveis de risco cirurgico na placenta previa com cesarea anterior: nivel I com uma cesarea e baixo risco de histerectomia, nivel II com duas ou mais cesareas e risco intermediario, nivel III com acretismo e risco de histerectomia em ate 85 por cento
Estratificação do risco cirúrgico na placenta prévia com cesárea anterior. Baseado em Jauniaux et al., Am J Obstet Gynecol 2026.

Riscos maternos e fetais

Conhecer os riscos não é para criar medo — é para que o planejamento seja proporcional à situação real de cada caso.

Riscos maternos

O principal risco da placenta prévia é o sangramento. A placenta prévia é uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre. O sangramento ocorre porque, à medida que o segmento uterino inferior se expande fisiologicamente, a placenta aderida nessa região não acompanha o crescimento com a mesma elasticidade — e pequenas áreas de descolamento ocorrem.

Outros riscos maternos incluem: choque hipovolêmico por perda importante de sangue; trabalho de parto prematuro desencadeado pelo sangramento; posição anômala do bebê (o segmento inferior, ocupado pela placenta, não permite que a cabeça fetal se encaixe); e, nos casos mais complexos, necessidade de histerectomia quando o sangramento não pode ser controlado cirurgicamente por outros meios.

Riscos para o bebê

A placenta prévia responde por aproximadamente 5% de todos os partos prematuros — o sangramento antenatal é o principal fator desencadeante. Gestações complicadas por placenta prévia apresentam também taxas mais elevadas de restrição de crescimento fetal e baixo peso ao nascer.

A mortalidade neonatal é maior nessas gestações quando comparada à população geral — em grande parte explicada pela prematuridade e suas consequências, como síndrome de angústia respiratória e infecções neonatais. Gestações que chegam a termo com placenta prévia não complicada, quando devidamente planejadas, têm desfechos substancialmente melhores.

O que muda no acompanhamento

O diagnóstico de placenta prévia transforma a gestação em pré-natal de alto risco — e o acompanhamento precisa refletir isso.

Vigilância do sangramento

  • Orientação clara: procurar emergência a qualquer sangramento vaginal, mesmo que pequeno ou indolor
  • Evitar toque vaginal — o exame especular estéril substitui quando necessário
  • Restrição de atividade física e relações sexuais nos casos com sangramento recorrente
  • Internação hospitalar quando o sangramento é significativo ou repetido

Ultrassons seriados

  • Reavaliação da posição placentária com transvaginal no terceiro trimestre — idealmente entre 28 e 32 semanas e próximo do parto
  • Monitoramento de marcadores de acretismo nas gestantes de risco (cesáreas anteriores + placenta anterior)
  • Avaliação do crescimento fetal e Doppler para rastreio de restrição

Planejamento multidisciplinar

  • Nos casos de risco cirúrgico elevado (níveis II e III), envolvimento precoce de anestesiologia, urologia e banco de sangue
  • Corticosteroides antenatais (betametasona) quando há risco de parto antes de 34 semanas — reduzem complicações pulmonares do prematuro
  • Definição antecipada do hospital para o parto — idealmente com UTI neonatal e estrutura para cirurgia complexa

Planejamento do parto

O momento e o modo do parto dependem de três fatores: a posição final da placenta, a presença ou ausência de sangramento ativo e o risco cirúrgico avaliado pelo ultrassom pré-operatório.

Momento do parto: para placenta prévia completa não complicada — sem acretismo confirmado e sem sangramento importante —, as diretrizes internacionais recomendam cesárea eletiva entre 36 e 37 semanas de gestação. Esse intervalo equilibra o risco de sangramento espontâneo com o risco de prematuridade. Em casos com sangramento recorrente ou risco elevado, o parto pode ser antecipado individualmente.

Via de parto: a cesárea é obrigatória quando a placenta cobre o orifício interno do colo. Quando a borda placentária está abaixo de 20 mm mas sem cobrir o colo (inserção baixa), o parto vaginal pode ser considerado dependendo da distância exata medida pelo transvaginal após 35 semanas.

Incisão uterina: a incisão transversa baixa é preferida na maioria dos casos. Em placentas com implantação anterior que cobrem todo o segmento inferior, a incisão pode precisar ser modificada para evitar o corte da placenta durante a extração fetal — o que aumentaria significativamente a perda sanguínea.

O planejamento antecipado é o que mais impacta o desfecho. Quando a equipe sabe com antecedência o nível de complexidade cirúrgica esperado — com base no ultrassom pré-operatório detalhado —, pode mobilizar os recursos certos no momento certo. Checklists e procedimentos padronizados para cesárea-histerectomia em centros experientes estão associados a menor perda sanguínea e menos tempo em UTI.

A teleconsulta pode ajudar antes mesmo do parto: gestantes que moram longe de um centro de referência podem enviar seus exames por telemedicina para avaliação do risco cirúrgico e definição do momento ideal para se deslocar — sem precisar viajar para cada consulta de rotina. Publicações recentes mostram que a revisão remota de imagens ultrassonográficas em casos de placenta prévia com suspeita de acretismo tem boa confiabilidade.

Quando buscar avaliação especializada em placenta prévia

  • O ultrassom identificou placenta baixa ou prévia — em qualquer trimestre
  • Você tem uma ou mais cesáreas anteriores e a placenta está próxima ou sobre o colo
  • Houve sangramento vaginal em qualquer momento da gestação
  • O diagnóstico de placenta prévia foi confirmado e você ainda não conversou com especialista em medicina fetal
  • Há suspeita de acretismo placentário associado mencionada no laudo do ultrassom
  • Você está se aproximando de 36 semanas com placenta prévia confirmada e ainda não tem plano de parto definido
  • Mora fora de Curitiba ou Porto Alegre e quer entender o risco antes de decidir onde ter o bebê

Atendimento presencial em Curitiba e Porto Alegre. Teleconsulta disponível para avaliação de exames e planejamento de parto para pacientes de qualquer estado.

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Perguntas frequentes

Placenta baixa no segundo trimestre significa placenta prévia?

Na grande maioria dos casos, não. A placenta migra em média 5 mm por semana durante o segundo trimestre — e mais de 98% dos casos de placenta baixa identificados antes de 26 semanas se resolvem espontaneamente antes do parto. Apenas 5 a 10% das gestantes com diagnóstico de placenta prévia entre 20 e 24 semanas ainda terão o diagnóstico confirmado no terceiro trimestre. O laudo do morfológico que menciona placenta baixa pede reavaliação — não alarme.
Posso ter parto normal com placenta prévia?

Depende da posição final da placenta no terceiro trimestre. Quando a placenta cobre o colo uterino (placenta prévia completa), a cesárea é obrigatória — o risco de sangramento grave durante o trabalho de parto é muito alto. Quando a borda placentária está abaixo de 20 mm do colo mas sem cobri-lo (placenta de inserção baixa), o parto vaginal pode ser considerado. A distância exata medida pelo ultrassom transvaginal após 35 semanas orienta essa decisão caso a caso.
Placenta prévia sempre causa sangramento?

Não necessariamente. Algumas gestantes com placenta prévia chegam ao parto sem nenhum sangramento. O sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre é o sintoma clássico — quando ocorre, é o principal sinal de alerta. Mesmo na ausência de sangramento, o acompanhamento especializado e o planejamento do parto são indispensáveis para antecipar os riscos da cesárea.
Cesárea anterior aumenta o risco na placenta prévia?

Sim — e o risco aumenta com o número de cesáreas anteriores. A cicatriz de cesárea no segmento uterino inferior altera a vascularização local, aumentando o risco de acretismo placentário quando a placenta se implanta nessa área. Com uma cesárea anterior e placenta prévia, o risco de acretismo associado é de aproximadamente 3%. Com três ou mais cesáreas anteriores, pode superar 60%. Por isso, gestantes nessa situação precisam de avaliação pré-operatória com Doppler colorido para estratificar o risco cirúrgico.
Com quantas semanas a cesárea é programada?

Para placenta prévia completa não complicada, as diretrizes internacionais recomendam cesárea eletiva entre 36 e 37 semanas — esse intervalo equilibra o risco de sangramento espontâneo com o risco de prematuridade. Quando há sangramento recorrente, suspeita de acretismo ou outro fator de risco, o parto pode ser antecipado individualmente. Nos casos de acretismo placentário confirmado, o planejamento é individualizado com equipe multidisciplinar e costuma ocorrer entre 34 e 36 semanas.
Posso fazer avaliação por telemedicina antes de decidir onde ter o bebê?

Sim. A teleconsulta permite revisar os exames de ultrassom, avaliar o risco cirúrgico com base nas imagens disponíveis e discutir o plano de parto — tudo sem precisar se deslocar para a primeira consulta. Publicações recentes mostram que a revisão remota e assíncrona de imagens ultrassonográficas em casos de placenta prévia com suspeita de acretismo tem boa confiabilidade entre especialistas. A teleconsulta em medicina fetal é regulamentada pela Resolução CFM 2.314/2022.

Referências

  1. Jauniaux E, Nieto-Calvache AJ, Hussein AM. Preoperative ultrasound assessment for surgical risk management in patients with a placenta previa and a history of cesarean delivery. Am J Obstet Gynecol. 2026;234(Suppl):S641–S644. doi:10.1016/j.ajog.2025.06.012
  2. Sahu SA, Shrivastava D. Maternal and Perinatal Outcomes in Placenta Previa: A Comprehensive Review of Evidence. Cureus. 2024;16(5):e59737. doi:10.7759/cureus.59737
  3. Jain V, Bos H, Bujold E. Guideline No. 402: Diagnosis and Management of Placenta Previa. J Obstet Gynaecol Can. 2020;42(7):906–917. doi:10.1016/j.jogc.2019.07.019
  4. Jauniaux E, Alfirevic Z, Bhide AG, et al. Placenta praevia and placenta accreta: diagnosis and management. Green-top guideline No. 27a. BJOG. 2019;126:e1–48.
  5. Nieto-Calvache AJ, et al. Telemedicine ultrasound assessment for placenta accreta spectrum: utility and interobserver reliability of asynchronous remote imaging review. Int J Gynaecol Obstet. 2025;168:1191–1203.

Conteúdo com finalidade educativa. Não substitui avaliação médica individualizada. Diagnóstico e tratamento dependem de consulta presencial ou por telemedicina com avaliação individualizada. Teleconsulta regulamentada pela Resolução CFM 2.314/2022.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal

Dr. Rafael Bruns
Gin. e Obstetrícia
Medicina Fetal

Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, além do acompanhamento de gestações de alto risco.

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