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Placenta prévia: o que a gestante precisa saber
Medicina Fetal 22 min de leitura

Placenta prévia: o que a gestante precisa saber

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 22 min de leitura

Complicacoes placentarias

A placenta previa e uma condicao em que a placenta se implanta na parte inferior do utero, cobrindo parcial ou totalmente o colo uterino. Entender o que o diagnostico realmente significa — e o que ele nao significa — faz diferenca no acompanhamento e no desfecho.

O essencial: a maioria dos casos de “placenta baixa” diagnosticados no segundo trimestre se resolve espontaneamente. Quando a placenta previa persiste ate o terceiro trimestre, o acompanhamento especializado e o planejamento antecipado do parto sao o que mais impacta o desfecho.
Ultrassom transvaginal mostrando placenta previa — a placenta cobre o orificio interno do colo uterino
Ultrassom transvaginal evidenciando placenta previa: a placenta recobre o orificio interno do colo uterino. A via transvaginal e mais precisa que a abdominal para medir a distancia entre a borda placentaria e o colo. Imagem do arquivo pessoal do Dr. Rafael Bruns.

O que e placenta previa — e como e classificada

A placenta previa ocorre quando a placenta se implanta no segmento uterino inferior — a porcao mais baixa do utero — e sua borda alcanca ou cobre o colo uterino, estrutura que se abre durante o trabalho de parto. Isso compromete a passagem do bebe pelo canal vaginal quando a cobertura e total e pode provocar sangramento a medida que o segmento inferior se expande no terceiro trimestre.

A classificacao adotada por grupos internacionais de especialistas baseia a definicao na distancia entre a borda placentaria e o orificio interno do colo:

  • Posicao normal: borda a 20 mm ou mais do orificio interno — sem risco relacionado a posicao
  • Placenta de insercao baixa: borda a menos de 20 mm do orificio, sem cobri-lo
  • Placenta previa: borda que alcanca ou cobre o orificio interno do colo

Esse criterio de 20 mm e valido a partir de 16 semanas — antes disso, a relacao entre placenta e colo ainda e muito variavel para ter significado clinico definitivo.




Clique nas abas para ver os tipos de placenta previa




Ilustracao da posicao normal da placenta — placenta implantada no fundo uterino, longe do colo

Posicao normal: a placenta esta implantada no fundo ou corpo do utero, longe do colo uterino. Esta e a localizacao habitual e nao traz riscos relacionados a posicao placentaria.

Ilustracao de placenta previa marginal — borda da placenta tangencia o orificio interno do colo

Posicao marginal: a borda da placenta chega ate a margem do orificio interno do colo uterino, sem cobri-lo. Pode resolver espontaneamente com o crescimento do utero.

Ilustracao de placenta previa parcial — placenta cobre parcialmente o orificio interno do colo uterino

Posicao parcial: a placenta cobre parcialmente o orificio interno do colo. O parto vaginal geralmente nao e recomendado nessa situacao.

Ilustracao de placenta previa total — placenta cobre completamente o orificio interno do colo uterino

Posicao total: a placenta cobre completamente o orificio interno do colo uterino. A cesarea e obrigatoria. E o tipo de maior risco para sangramento.

Ilustracao: Dr. Rafael Bruns — Tipos de placenta previa conforme a relacao com o orificio interno do colo uterino.

Importante: nem toda placenta baixa no segundo trimestre sera placenta previa ao final da gestacao. Quando a placenta previa coexiste com cicatrizes de cesarea anterior, existe risco aumentado de acretismo placentario — condicao em que a placenta invade a parede uterina de forma anormal e nao se desola adequadamente apos o parto.

Prevalencia e por que os numeros estao subindo

A placenta previa acomete entre 0,3% e 0,5% das gestacoes que chegam ao terceiro trimestre — ou seja, aproximadamente 1 em cada 200 a 300 gestantes tera o diagnostico confirmado apos 28 semanas. Em regioes com taxas de cesariana superiores a 40%, como partes da America Latina, Turquia e Egito, a prevalencia pode ser 3 a 4 vezes maior do que em paises com taxas mais baixas.

No segundo trimestre, a prevalencia aparente e muito maior: entre 28% e 45% dos ultrassons realizados entre 16 e 24 semanas identificam a placenta em posicao baixa. No entanto, a grande maioria desses achados se resolve espontaneamente antes do parto — um fenomeno explicado pelo crescimento do segmento uterino inferior, detalhado na proxima secao.

Dois fatores explicam o aumento progressivo na incidencia de placenta previa nas ultimas decadas:

  • Aumento global das taxas de cesariana: cada cesariana anterior deixa uma cicatriz no segmento uterino inferior que altera a superficee de implantacao. Quanto mais cesarianas, maior a chance de a placenta se implantar em posicao baixa na gestacao seguinte.
  • Aumento da idade materna e do uso de reproducao assistida: gestacoes em mulheres acima de 35 anos e gravidezes por fertilizacao in vitro (FIV) estao associadas a maior frequencia de implantacao baixa.

A hemorragia associada a placenta previa permanece como uma das principais causas de mortalidade materna no mundo — responsavel por cerca de 27% de todas as mortes maternas, segundo dados de revisoes sistematicas. Esse dado reforce a importancia do diagnostico pre-natal e do planejamento adequado do parto.

Por que a posicao muda ao longo da gestacao

A placenta previa nao e uma posicao permanente. O utero cresce progressivamente, e o segmento inferior se expande de forma importante no segundo e terceiro trimestres. Esse crescimento “afasta” a borda placentaria do colo na maioria das gestacoes — um fenomeno chamado de migracao placentaria.

A migracao ocorre em media na velocidade de 5,4 mm por semana durante o segundo trimestre. Mais de 98% dos casos de placenta baixa ou previa identificados antes de 26 semanas se resolvem antes do parto. Em numeros mais concretos: de todas as gestantes com diagnostico de placenta previa entre 20 e 24 semanas, apenas 5 a 10% ainda terao placenta previa confirmada entre 34 e 36 semanas.

O que ajuda a prever se a placenta previa vai persistir

Um estudo classico realizado na Universidade Harvard, com 925 gestantes diagnosticadas com placenta previa no segundo trimestre, mostrou que apenas 43 (4,6%) ainda apresentavam placenta previa no momento do parto. Os pesquisadores identificaram um achado ultrassonografico que ajuda a prever a persistencia: a simetria da placenta em relacao ao orificio interno do colo.

Quando a placenta cobre o colo de forma simetrica — ou seja, centralizada, com quantidades iguais de tecido de cada lado — a chance de persistencia ate o terceiro trimestre e significativamente maior do que quando a cobertura e assimetrica (a maior parte da placenta de um lado so). A sensibilidade desse sinal foi de 49% e a especificidade de 93%, com valor preditivo negativo de 97%: ou seja, uma placenta assimetrica sobre o colo no segundo trimestre tem apenas 3% de chance de persistir como previa a termo.

Outro dado util: quando a placenta sobrepoe o orificio interno por 25 mm ou mais ao redor de 20 semanas, a probabilidade de persistencia e muito alta. Ja sobreposicoes menores, especialmente as assimetricas, quase sempre se resolvem.

Isso explica por que um laudo de “placenta baixa” no morfologico gera angustia muitas vezes desnecessaria — e por que o diagnostico definitivo so pode ser estabelecido no terceiro trimestre.

Diagnostico precoce nao significa desfecho grave. Significa que o acompanhamento precisa ser mais atento e que a reavaliacao ultrassonografica e indispensavel.

Quem tem mais risco

Alguns fatores aumentam significativamente a probabilidade de implantacao placentaria baixa — e especialmente de que ela persista ate o termo:

  • Cesareas anteriores: cada cesarea deixa cicatriz no segmento uterino inferior, alterando a vascularizacao e a superficie de implantacao nas gestacoes seguintes. O risco aumenta progressivamente com o numero de cirurgias
  • Cirurgias uterinas previas: miomectomia, curetagem, resseccao de polipos intracavitarios, remocao manual de placenta anterior
  • Fertilizacao in vitro (FIV): as tecnicas de transferencia embrionaria estao associadas a maior frequencia de implantacao baixa
  • Gestacao gemelar: placentas maiores tem maior probabilidade de alcancar o segmento inferior — saiba mais no artigo sobre gestacao gemelar e seus riscos
  • Multiparidade e idade materna acima de 35 anos
  • Tabagismo e uso de cocaina na gestacao
  • Historico de placenta previa em gestacoes anteriores

A relacao entre cesarea e complicacoes placentarias merece atencao especial. Em gestantes com placenta previa e sem cesarea previa, o risco de acretismo associado e de aproximadamente 3%. Com tres ou mais cesareas anteriores, esse risco pode superar 60%. E uma das razoes pelas quais a indicacao criteriosa de cesarea importa — nao apenas para a gestacao atual, mas para as futuras.

Como e diagnosticada

O diagnostico e feito por ultrassom — o padrao-ouro para avaliacao da localizacao placentaria. Diferentes abordagens se complementam conforme a semana gestacional e o contexto clinico.

Ultrassom transabdominal de rotina

A posicao da placenta e documentada em todos os ultrassons obstetricos. Quando a borda inferior esta proxima ou sobre o colo, isso e registrado e reavaliado. O morfologico do segundo trimestre ja identifica a localizacao placentaria com boa precisao — mas a visualizacao pode ser limitada por posicao fetal, obesidade ou volume vesical insuficiente.

Ultrassom transvaginal: o exame de referencia

Quando ha suspeita de placenta previa, o ultrassom transvaginal mede com exatidao a distancia entre a borda placentaria e o orificio interno do colo. A sonda transvaginal permite visualizar o segmento inferior sem a interferencia do tecido adiposo ou da posicao fetal. E seguro: a via transvaginal nao alcanca o colo uterino e estudos controlados nao mostram aumento de sangramento associado ao exame. A taxa de falso-positivo do ultrassom transabdominal e de aproximadamente 7% — e em mais de 12% dos casos, o diagnostico muda apos a avaliacao transvaginal.

Doppler colorido e avaliacao do segmento inferior

O Doppler colorido tem papel central quando ha suspeita de acretismo placentario associado. Avalia a vascularizacao retroplacentaria e da interface utero-bexiga, detecta vasos “pontes” entre placenta e bexiga (bridging vessels) e identifica lacunas intraplacentarias — os marcadores ultrassonograficos mais especificos e confiaveis de invasao anormal. Alem disso, o Doppler colorido e essencial para identificar a insercao do cordao umbilical e rastrear vasa previa.

Na pratica: o diagnostico definitivo de placenta previa so deve ser estabelecido no terceiro trimestre — idealmente apos 28 semanas — com ultrassom transvaginal. Um laudo de segundo trimestre que menciona “placenta baixa” nao e diagnostico de placenta previa e nao deve ser tratado como tal antes da reavaliacao programada.

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Quando suspeitar de acretismo associado

A associacao entre placenta previa e cesarea anterior e o principal fator de risco para o espectro de acretismo placentario — condicoes em que a placenta adere ou invade anormalmente a parede uterina. A avaliacao ultrassonografica pre-operatoria, realizada no terceiro trimestre, permite estratificar o risco cirurgico antes do parto.

Os principais marcadores ultrassonograficos que orientam essa avaliacao incluem:

  • Adelgacamento miometrial: a parede uterina abaixo da placenta torna-se progressivamente mais fina nas gestantes com cicatrizes de cesarea. Espessuras menores que 1 mm indicam deiscencia importante do segmento inferior
  • Perda da zona clara retroplacentaria: a faixa hipoecogenica entre placenta e miometrio — quando ausente — e sinal precoce de invasao anormal
  • Protrusao (“bulge”) placentaria: quando o segmento inferior esta tao fino que a placenta projeta para alem do contorno uterino em direcao a bexiga, ha risco elevado de lesao vesical durante a cesarea
  • Lacunas intraplacentarias: espacos vasculares irregulares dentro da placenta visiveis ao ultrassom em escala de cinza — sao os marcadores mais especificos e confiaveis de acretismo placentario
  • Hipervascularizacao e bridging vessels: vasos que atravessam a interface utero-bexiga, identificados pelo Doppler colorido

Com base nesses achados, uma proposta de estratificacao publicada no American Journal of Obstetrics and Gynecology em 2026 classifica o risco cirurgico em tres niveis:

Nivel I — Complexidade padrao

Uma cesarea anterior. Deiscencia focal do segmento inferior (<30% da superficie). Vascularizacao retroplacentaria normal. Risco de hemorragia pos-parto abaixo de 50%, histerectomia abaixo de 10%. Equipe obstetrica experiente habitual.

Nivel II — Complexidade aumentada

Duas ou mais cesareas. Remodelacao extensa do segmento inferior, deiscencia >50% da superficie, protrusao placentaria. Vascularizacao retroplacentaria ainda normal. Risco de lesao vesical em torno de 5% e histerectomia em ate 25%. Requer planejamento multidisciplinar antecipado.

Nivel III — Alta complexidade

Placenta previa com invasao (acreta). Lacunas intraplacentarias e hipervascularizacao retroplacentaria ao Doppler. Risco de hemorragia acima de 2.000 mL, lesao vesical em ate 15%, histerectomia em ate 85%. Exige centro especializado com equipe experiente em espectro de acretismo.

O ultrassom pre-operatorio define a estrategia cirurgica. Quando os achados indicam alto risco, a equipe pode planejar a incisao, reservar hemoderivados, envolver urologia e anestesiologia com antecedencia — e a gestante pode ser orientada com base em dados concretos, nao em suposicoes.
Infografico comparando tres niveis de risco cirurgico na placenta previa com cesarea anterior: nivel I com uma cesarea e baixo risco de histerectomia, nivel II com duas ou mais cesareas e risco intermediario, nivel III com acretismo e risco de histerectomia em ate 85 por cento
Estratificacao do risco cirurgico na placenta previa com cesarea anterior. Baseado em Jauniaux et al., Am J Obstet Gynecol 2026.

Vasa previa: uma condicao associada que exige atencao

A vasa previa e uma condicao rara mas potencialmente grave em que vasos sanguineos fetais — pertencentes ao cordao umbilical ou a um lobo placentario acessorio — cruzam as membranas sobre o orificio interno do colo uterino, sem estarem protegidos pelo tecido placentario. Esses vasos ficam expostos e vulneraveis: se as membranas se romperem durante o trabalho de parto (a “bolsa estourar”), os vasos podem se romper junto — e o sangue que se perde e do bebe, nao da mae.

A vasa previa ocorre em aproximadamente 1 em cada 2.500 partos. Sem diagnostico pre-natal, a mortalidade fetal pode chegar a 95%, porque o volume sanguineo de um feto a termo e de apenas 250 a 300 ml — qualquer perda significativa e catastrofica. Quando diagnosticada antes do parto, a sobrevida e quase universal: a cesarea eletiva e programada antes do inicio do trabalho de parto, geralmente entre 34 e 36 semanas.

Qual a relacao com placenta previa

A placenta previa no segundo trimestre — mesmo quando se resolve ate o terceiro — e um dos principais fatores de risco para vasa previa. Quando a placenta migra para cima, eventuais lobos acessorios ou vasos marginais podem permanecer sobre o colo, cruzando as membranas. Outros fatores de risco incluem:

  • Placenta bilobada ou com lobo sucenturiado (acessorio)
  • Gestacao por fertilizacao in vitro (FIV)
  • Insercao velamentosa do cordao umbilical (quando o cordao se insere nas membranas, nao na massa placentaria)
  • Gestacao gemelar

Como e diagnosticada

O diagnostico e feito pelo ultrassom transvaginal com Doppler colorido — o mesmo exame usado para avaliar a placenta previa. Ao examinar a regiao sobre o colo uterino, o Doppler identifica vasos que cruzam as membranas. Estudos mostram que a insercao do cordao pode ser identificada em mais de 99% das gestacoes com o uso do Doppler colorido, acrescentando menos de um minuto ao tempo do exame.

A recomendacao de Oyelese e colaboradores, publicada no Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, e clara: em toda gestante com placenta de insercao baixa, placenta bilobada ou sucenturiada, gestacao por FIV ou gestacao multipla, a regiao sobre o orificio interno do colo deve ser avaliada com Doppler colorido para descartar vasa previa. Quando identificada a tempo, a vasa previa deixa de ser uma tragedia — e se torna uma condicao plenamente manejavel.

Riscos maternos e fetais

Conhecer os riscos nao e para criar medo — e para que o planejamento seja proporcional a situacao real de cada caso.

Riscos maternos

O principal risco da placenta previa e o sangramento. A placenta previa e uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre — e a hemorragia obstetrica responde por 27% de todas as mortes maternas no mundo. O sangramento ocorre porque, a medida que o segmento uterino inferior se expande fisiologicamente, a placenta aderida nessa regiao nao acompanha o crescimento com a mesma elasticidade — e pequenas areas de descolamento ocorrem.

Outros riscos maternos incluem: choque hipovolemico por perda importante de sangue; trabalho de parto prematuro desencadeado pelo sangramento; posicao anomala do bebe (o segmento inferior, ocupado pela placenta, nao permite que a cabeca fetal se encaixe); e, nos casos mais complexos, necessidade de histerectomia quando o sangramento nao pode ser controlado cirurgicamente por outros meios.

Riscos para o bebe

A placenta previa responde por aproximadamente 5% de todos os partos prematuros — o sangramento antenatal e o principal fator desencadeante. Gestacoes complicadas por placenta previa apresentam tambem taxas mais elevadas de restricao de crescimento fetal e baixo peso ao nascer.

A mortalidade neonatal e significativamente maior nessas gestacoes: estudos mostram taxas de 10,7 por 1.000 nascidos vivos em gestacoes com placenta previa, comparadas a 2,5 por 1.000 na populacao geral — um risco relativo de 4,3. A mortalidade perinatal (que inclui natimortos) tambem e elevada, com uma taxa estimada de 81 por 1.000. Esses numeros sao explicados principalmente pela prematuridade e suas consequencias: sindrome de angustia respiratoria, sepse neonatal e asfixia. Gestacoes que chegam a termo com placenta previa nao complicada, quando devidamente planejadas, tem desfechos substancialmente melhores.

O que muda no acompanhamento

O diagnostico de placenta previa transforma a gestacao em pre-natal de alto risco — e o acompanhamento precisa refletir isso.

Vigilancia do sangramento

  • Orientacao clara: procurar emergencia a qualquer sangramento vaginal, mesmo que pequeno ou indolor
  • Evitar toque vaginal — o exame especular esteril substitui quando necessario
  • Restricao de atividade fisica e relacoes sexuais nos casos com sangramento recorrente
  • Internacao hospitalar quando o sangramento e significativo ou repetido

Ultrassons seriados

  • Reavaliacao da posicao placentaria com transvaginal no terceiro trimestre — idealmente entre 28 e 32 semanas e proximo do parto
  • Monitoramento de marcadores de acretismo nas gestantes de risco (cesareas anteriores + placenta anterior)
  • Avaliacao do crescimento fetal e Doppler para rastreio de restricao
  • Rastreio de vasa previa com Doppler colorido em gestantes com fatores de risco

Planejamento multidisciplinar

  • Nos casos de risco cirurgico elevado (niveis II e III), envolvimento precoce de anestesiologia, urologia e banco de sangue
  • Corticosteroides antenatais (betametasona) quando ha risco de parto antes de 34 semanas — reduzem complicacoes pulmonares do prematuro
  • Definicao antecipada do hospital para o parto — idealmente com UTI neonatal e estrutura para cirurgia complexa

Planejamento do parto

O momento e o modo do parto dependem de tres fatores: a posicao final da placenta, a presenca ou ausencia de sangramento ativo e o risco cirurgico avaliado pelo ultrassom pre-operatorio.

Momento do parto: para placenta previa completa nao complicada — sem acretismo confirmado e sem sangramento importante —, as diretrizes internacionais recomendam cesarea eletiva entre 36 e 37 semanas de gestacao. Esse intervalo equilibra o risco de sangramento espontaneo com o risco de prematuridade. Em casos com sangramento recorrente ou risco elevado, o parto pode ser antecipado individualmente.

Via de parto: a cesarea e obrigatoria quando a placenta cobre o orificio interno do colo. Quando a borda placentaria esta abaixo de 20 mm mas sem cobrir o colo (insercao baixa), o parto vaginal pode ser considerado dependendo da distancia exata medida pelo transvaginal apos 35 semanas. Pesquisas demonstraram que, quando a borda placentaria esta a 2 cm ou mais do orificio interno do colo apos 20 semanas, nenhuma cesarea por placenta previa foi necessaria.

Incisao uterina: a incisao transversa baixa e preferida na maioria dos casos. Em placentas com implantacao anterior que cobrem todo o segmento inferior, a incisao pode precisar ser modificada para evitar o corte da placenta durante a extracao fetal — o que aumentaria significativamente a perda sanguinea.

O planejamento antecipado e o que mais impacta o desfecho. Quando a equipe sabe com antecedencia o nivel de complexidade cirurgica esperado — com base no ultrassom pre-operatorio detalhado —, pode mobilizar os recursos certos no momento certo. Checklists e procedimentos padronizados para cesarea-histerectomia em centros experientes estao associados a menor perda sanguinea e menos tempo em UTI.

A teleconsulta pode ajudar antes mesmo do parto: gestantes que moram longe de um centro de referencia podem enviar seus exames por telemedicina para avaliacao do risco cirurgico e definicao do momento ideal para se deslocar — sem precisar viajar para cada consulta de rotina. Publicacoes recentes mostram que a revisao remota de imagens ultrassonograficas em casos de placenta previa com suspeita de acretismo tem boa confiabilidade.

Quando buscar avaliacao especializada em placenta previa

  • O ultrassom identificou placenta baixa ou previa — em qualquer trimestre
  • Voce tem uma ou mais cesareas anteriores e a placenta esta proxima ou sobre o colo
  • Houve sangramento vaginal em qualquer momento da gestacao
  • O diagnostico de placenta previa foi confirmado e voce ainda nao conversou com especialista em medicina fetal
  • Ha suspeita de acretismo placentario associado mencionada no laudo do ultrassom
  • Ha suspeita de vasa previa ou insercao velamentosa do cordao umbilical
  • Voce esta se aproximando de 36 semanas com placenta previa confirmada e ainda nao tem plano de parto definido
  • Mora fora de Curitiba ou Porto Alegre e quer entender o risco antes de decidir onde ter o bebe

Atendimento presencial em Curitiba e Porto Alegre. Teleconsulta disponivel para avaliacao de exames e planejamento de parto para pacientes de qualquer estado.

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Perguntas frequentes

Placenta baixa no segundo trimestre significa placenta previa?

Na grande maioria dos casos, nao. A placenta migra em media 5 mm por semana durante o segundo trimestre — e mais de 98% dos casos de placenta baixa identificados antes de 26 semanas se resolvem espontaneamente antes do parto. Apenas 5 a 10% das gestantes com diagnostico de placenta previa entre 20 e 24 semanas ainda terao o diagnostico confirmado no terceiro trimestre. O laudo do morfologico que menciona placenta baixa pede reavaliacao — nao alarme.
Posso ter parto normal com placenta previa?

Depende da posicao final da placenta no terceiro trimestre. Quando a placenta cobre o colo uterino (placenta previa completa), a cesarea e obrigatoria — o risco de sangramento grave durante o trabalho de parto e muito alto. Quando a borda placentaria esta abaixo de 20 mm do colo mas sem cobri-lo (placenta de insercao baixa), o parto vaginal pode ser considerado. A distancia exata medida pelo ultrassom transvaginal apos 35 semanas orienta essa decisao caso a caso.
Placenta previa sempre causa sangramento?

Nao necessariamente. Algumas gestantes com placenta previa chegam ao parto sem nenhum sangramento. O sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre e o sintoma classico — quando ocorre, e o principal sinal de alerta. Mesmo na ausencia de sangramento, o acompanhamento especializado e o planejamento do parto sao indispensaveis para antecipar os riscos da cesarea.
Cesarea anterior aumenta o risco na placenta previa?

Sim — e o risco aumenta com o numero de cesareas anteriores. A cicatriz de cesarea no segmento uterino inferior altera a vascularizacao local, aumentando o risco de acretismo placentario quando a placenta se implanta nessa area. Com uma cesarea anterior e placenta previa, o risco de acretismo associado e de aproximadamente 3%. Com tres ou mais cesareas anteriores, pode superar 60%. Por isso, gestantes nessa situacao precisam de avaliacao pre-operatoria com Doppler colorido para estratificar o risco cirurgico.
Com quantas semanas a cesarea e programada?

Para placenta previa completa nao complicada, as diretrizes internacionais recomendam cesarea eletiva entre 36 e 37 semanas — esse intervalo equilibra o risco de sangramento espontaneo com o risco de prematuridade. Quando ha sangramento recorrente, suspeita de acretismo ou outro fator de risco, o parto pode ser antecipado individualmente. Nos casos de acretismo placentario confirmado, o planejamento e individualizado com equipe multidisciplinar e costuma ocorrer entre 34 e 36 semanas.
Posso fazer avaliacao por telemedicina antes de decidir onde ter o bebe?

Sim. A teleconsulta permite revisar os exames de ultrassom, avaliar o risco cirurgico com base nas imagens disponiveis e discutir o plano de parto — tudo sem precisar se deslocar para a primeira consulta. Publicacoes recentes mostram que a revisao remota e assincrona de imagens ultrassonograficas em casos de placenta previa com suspeita de acretismo tem boa confiabilidade entre especialistas. A teleconsulta em medicina fetal e regulamentada pela Resolucao CFM 2.314/2022.

O que e vasa previa e qual a relacao com placenta previa?

Vasa previa e uma condicao em que vasos sanguineos do bebe cruzam as membranas sobre o colo uterino sem estarem protegidos pela placenta. Se esses vasos se romperem durante o trabalho de parto, o sangramento e fetal — e pode ser fatal em minutos. A placenta previa no segundo trimestre, mesmo quando se resolve, e um fator de risco importante: ao “migrar” para cima, a placenta pode deixar vasos desprotegidos sobre o colo. Quando diagnosticada antes do parto, a cesarea eletiva garante sobrevida quase universal.

Placenta previa tem risco de morte?

A placenta previa e uma condicao serio, mas o risco de morte materna ou fetal e substancialmente reduzido quando o diagnostico e feito antes do parto e o planejamento e adequado. A hemorragia obstetrica, principal complicacao, e a causa de 27% das mortes maternas no mundo — mas a grande maioria dessas mortes ocorre em contextos sem diagnostico pre-natal, sem acesso a cesarea planejada e sem equipe preparada. Com acompanhamento especializado, parto planejado em centro de referencia e equipe multidisciplinar, os desfechos sao significativamente melhores tanto para a mae quanto para o bebe.

Referencias

  1. Jauniaux E, Nieto-Calvache AJ, Hussein AM. Preoperative ultrasound assessment for surgical risk management in patients with a placenta previa and a history of cesarean delivery. Am J Obstet Gynecol. 2026;234(Suppl):S641-S644.
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  5. Nieto-Calvache AJ, et al. Telemedicine ultrasound assessment for placenta accreta spectrum. Int J Gynaecol Obstet. 2025;168:1191-1203.
  6. Oyelese Y. Placenta previa and vasa previa: time to leave the Dark Ages. Ultrasound Obstet Gynecol. 2002;18:96-99.
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  8. Iskander R, Massalha M, Remer C, et al. Systematic review and meta-analysis of RCTs on the effects of internal iliac artery balloon occlusion in placenta previa and PAS. Int J Gynecol Obstet. 2025;170:1061-1070.

Conteudo com finalidade educativa. Nao substitui avaliacao medica individualizada. Diagnostico e tratamento dependem de consulta presencial ou por telemedicina com avaliacao individualizada. Teleconsulta regulamentada pela Resolucao CFM 2.314/2022.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal

Dr. Rafael Bruns
Gin. e Obstetricia
Medicina Fetal

Medico especialista em Medicina Fetal, com atuacao em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biopsia de vilo corial, alem do acompanhamento de gestacoes de alto risco.

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