Calculadora de risco — rastreio combinado de 1º trimestre
Ferramenta de bolso para o colega — com um único preenchimento, calcula o risco de trissomias (21, 18, 13) e o risco de pré-eclâmpsia do 1º trimestre. O risco de pré-eclâmpsia é estimado com os dados disponíveis (biofísicos e bioquímicos são opcionais).
Resultado
Risco de trissomias (21, 18, 13)
Risco de pré-eclâmpsia
Fontes: Wright & Bray 2000 (risco a priori); Snijders 1995 (idade materna na DPP); Wright et al., UOG 2008 (TN); Maiz et al., UOG 2009 (DV); Kagan et al., UOG 2009 (ON+TC); Kagan et al., UOG 2008 (Bioquímica + combinação Bayesiana). Manual da Fetal Medicine Foundation (marcadores maiores).
TN translucência nucal · DV ducto venoso (IP) · ON osso nasal · TC regurgitação tricúspide
Gráficos de referência
Calcule acima para ver o ponto da paciente sobre as curvas.
Fonte: Wright D, Kagan KO, Molina FS, Gazzoni A, Nicolaides KH. A mixture model of nuchal translucency thickness in screening for chromosomal defects. Ultrasound Obstet Gynecol. 2008;31:376–383. Dados normativos: Snijders RJM et al., Lancet. 1998;352:343–346.
Informe a IG por datação (semanas+dias ou DUM) e calcule para ver o ponto da paciente.
Fonte: Hadlock FP, Shah YP, Kanon DJ, Lindsey JV. Fetal crown-rump length: reevaluation of relation to menstrual age (5–18 weeks) with high-resolution real-time US. Radiology. 1992;182:501–505. P5/P95 derivados da variabilidade percentual residual (±1,645 × 9,7%).
Calcule acima para ver o ponto da paciente sobre as curvas.
Fonte: curva de referência da FCF da Fetal Medicine Foundation para 11+0–14+0 semanas (Hyett et al.; Nicolaides, Manual do Rastreio de 1º Trimestre). P5/P95 = P50 ± 1,645·σ (σ ≈ 5,87 bpm). Conversão CCN→IG: Robinson HP, Fleming JE. Br J Obstet Gynaecol. 1975;82:702–710.
O rastreio combinado de 1º trimestre
O rastreio combinado de 1º trimestre, realizado entre 11+0 e 13+6 semanas, integra a idade materna, os marcadores ultrassonográficos (translucência nucal, osso nasal, ducto venoso e regurgitação tricúspide) e, quando disponíveis, os marcadores bioquímicos (PAPP-A e β-hCG livre) para estimar o risco individual das trissomias 21, 18 e 13.
O resultado é uma probabilidade a posteriori — não um diagnóstico. Um risco de “1 em N” não significa que 1 em cada N gestações tenha trissomia; significa que, naquele perfil específico, a chance estimada é de 1/N. A confirmação exige estudo genético: NIPT (teste pré-natal não invasivo, que analisa o DNA fetal no sangue materno), biópsia de vilo corial ou amniocentese.
Risco a priori de trissomias por idade materna
Risco basal — sem ultrassom e sem bioquímica — por idade materna na
data prevista do parto (DPP), calculado em 12 semanas
(84 dias) pelo modelo de Wright & Bray (referência: Snijders et al., Lancet, 1998).
Esta é a parte do cálculo que não depende de marcadores ultrassonográficos.
Para o risco combinado (com translucência nucal, FCF, marcadores adicionais e/ou
bioquímica), use a calculadora no topo desta página.
| Idade materna (anos) | Risco T21 | Risco T18 | Risco T13 |
|---|---|---|---|
| 15 | 1 em 993 | 1 em 2.308 | 1 em 7.270 |
| 16 | 1 em 990 | 1 em 2.301 | 1 em 7.250 |
| 17 | 1 em 986 | 1 em 2.292 | 1 em 7.222 |
| 18 | 1 em 981 | 1 em 2.281 | 1 em 7.186 |
| 19 | 1 em 975 | 1 em 2.266 | 1 em 7.138 |
| 20 | 1 em 966 | 1 em 2.246 | 1 em 7.075 |
| 21 | 1 em 955 | 1 em 2.219 | 1 em 6.992 |
| 22 | 1 em 940 | 1 em 2.185 | 1 em 6.885 |
| 23 | 1 em 921 | 1 em 2.141 | 1 em 6.746 |
| 24 | 1 em 897 | 1 em 2.085 | 1 em 6.569 |
| 25 | 1 em 867 | 1 em 2.014 | 1 em 6.346 |
| 26 | 1 em 829 | 1 em 1.927 | 1 em 6.071 |
| 27 | 1 em 784 | 1 em 1.822 | 1 em 5.739 |
| 28 | 1 em 730 | 1 em 1.697 | 1 em 5.347 |
| 29 | 1 em 669 | 1 em 1.555 | 1 em 4.900 |
| 30 | 1 em 602 | 1 em 1.399 | 1 em 4.408 |
| 31 | 1 em 531 | 1 em 1.233 | 1 em 3.886 |
| 32 | 1 em 458 | 1 em 1.065 | 1 em 3.355 |
| 33 | 1 em 387 | 1 em 900 | 1 em 2.837 |
| 34 | 1 em 321 | 1 em 746 | 1 em 2.352 |
| 35 | 1 em 261 | 1 em 608 | 1 em 1.914 |
| 36 | 1 em 209 | 1 em 487 | 1 em 1.533 |
| 37 | 1 em 165 | 1 em 385 | 1 em 1.212 |
| 38 | 1 em 129 | 1 em 300 | 1 em 947 |
| 39 | 1 em 100 | 1 em 233 | 1 em 733 |
| 40 | 1 em 77 | 1 em 179 | 1 em 563 |
| 41 | 1 em 59 | 1 em 137 | 1 em 431 |
| 42 | 1 em 45 | 1 em 104 | 1 em 328 |
| 43 | 1 em 34 | 1 em 79 | 1 em 250 |
| 44 | 1 em 26 | 1 em 60 | 1 em 189 |
| 45 | 1 em 20 | 1 em 46 | 1 em 144 |
| 46 | 1 em 15 | 1 em 35 | 1 em 109 |
| 47 | 1 em 11 | 1 em 26 | 1 em 83 |
| 48 | 1 em 9 | 1 em 20 | 1 em 64 |
| 49 | 1 em 7 | 1 em 16 | 1 em 49 |
Observação clínica: esta tabela representa o risco basal isolado.
No rastreio combinado de 1º trimestre, esse risco é modificado pelas razões de
verossimilhança (likelihood ratios) derivadas da translucência nucal (TN),
do osso nasal, do ducto venoso, da regurgitação tricúspide e — quando disponível —
da bioquímica (PAPP-A + β-hCG livre). Marcadores normais reduzem o risco; marcadores
alterados o aumentam.
Como interpretar o “1 em N”
Um risco de “1 em 250” não diz que aquela paciente terá um feto com trissomia — diz que, no grupo de pacientes com aquele perfil, espera-se 1 caso a cada 250. É uma métrica de rastreio, não de diagnóstico. O cutoff clássico para “alto risco” é 1:100; entre 1:100 e 1:1000 o risco é considerado moderado, e abaixo de 1:1000, baixo. Ainda assim, a decisão clínica considera idade materna, ansiedade, acesso a diagnóstico invasivo e desejo da paciente.
Para a técnica padronizada da medida da translucência nucal e seu papel no rastreio, veja o conteúdo sobre o rastreio de 1º trimestre e a medida da translucência nucal. Quando a TN está elevada, pode ser útil calcular o percentil específico da TN para o CCN. Casos de alto risco ou com achados estruturais demandam avaliação completa em medicina fetal.
Perguntas frequentes
Esta ferramenta implementa o modelo conceitual do rastreio combinado de 1º trimestre da Fetal Medicine Foundation, reconstruído a partir da literatura científica aberta. O cálculo de trissomias combina o risco a priori (idade materna + idade gestacional + histórico) com razões de verossimilhança de cada marcador pela regra de Bayes sob independência condicional; o bloco de pré-eclâmpsia implementa o modelo competing-risks da FMF, com risco a priori baseado em características maternas e razões de verossimilhança dos biomarcadores biofísicos e bioquímicos do 1º trimestre. Esta implementação não é certificada pela FMF e não substitui o software oficial nem a avaliação médica.
Referências
- Robinson HP, Fleming JE. A critical evaluation of sonar “crown-rump length” measurements. Br J Obstet Gynaecol. 1975;82(9):702-10. (datação por CCN)
- Snijders RJM, Sebire NJ, Nicolaides KH. Maternal age and gestational age-specific risk for chromosomal defects. Fetal Diagn Ther. 1995;10(6):356-67. (idade materna na DPP)
- Snijders RJM, Sundberg K, Holzgreve W, Henry G, Nicolaides KH. Maternal age- and gestation-specific risk for trisomy 21. Ultrasound Obstet Gynecol. 1999;13(3):167-70. (prevalência por idade)
- Wright D, Bray I. Estimating birth prevalence of Down’s syndrome. J Epidemiol Biostat. 2000;5(2):89-97. (risco a priori)
- Wright D, Kagan KO, Molina FS, Gazzoni A, Nicolaides KH. A mixture model of nuchal translucency thickness in screening for chromosomal defects. Ultrasound Obstet Gynecol. 2008;31(4):376-83. (TN)
- Maiz N, Valencia C, Kagan KO, Wright D, Nicolaides KH. Ductus venosus Doppler in screening for trisomies 21, 18 and 13 and Turner syndrome at 11-13 weeks. Ultrasound Obstet Gynecol. 2009;33(5):512-7. (ducto venoso)
- Kagan KO, Cicero S, Staboulidou I, Wright D, Nicolaides KH. Fetal nasal bone in screening for trisomies 21, 18 and 13 and Turner syndrome at 11-13 weeks of gestation. Ultrasound Obstet Gynecol. 2009;33(3):259-64. (osso nasal)
- Kagan KO, Valencia C, Livanos P, Wright D, Nicolaides KH. Tricuspid regurgitation in screening for trisomies 21, 18 and 13 and Turner syndrome at 11+0 to 13+6 weeks of gestation. Ultrasound Obstet Gynecol. 2009;33(1):18-22. (regurgitação tricúspide)
- Kagan KO, Wright D, Baker A, Sahota D, Nicolaides KH. Screening for trisomy 21 by maternal age, fetal nuchal translucency thickness, free beta-human chorionic gonadotropin and pregnancy-associated plasma protein-A. Ultrasound Obstet Gynecol. 2008;31(6):618-24. (combinação + bioquímica)
- Nicolaides KH. The 11-13+6 weeks scan. London: Fetal Medicine Foundation. (regra de sobreposição diante de anomalias estruturais maiores)
- Wright D, Syngelaki A, Akolekar R, Poon LC, Nicolaides KH. Competing risks model in screening for preeclampsia by maternal characteristics and medical history. Am J Obstet Gynecol. 2015;213(1):62.e1-10. (PE — risco a priori)
- O’Gorman N, Wright D, Syngelaki A, Akolekar R, Wright A, Poon LC, Nicolaides KH. Competing risks model in screening for preeclampsia by maternal factors and biomarkers at 11-13 weeks gestation. Am J Obstet Gynecol. 2016;214(1):103.e1-12. (PE — likelihood dos biomarcadores)
- Tsiakkas A, Saiid Y, Wright A, Wright D, Nicolaides KH. Maternal serum placental growth factor at 12, 22, 32 and 36 weeks’ gestation in screening for pre-eclampsia. Ultrasound Obstet Gynecol. 2016;47(4):472-7. (PE — conversão raw→MoM do PlGF)
- Tan MY, Syngelaki A, Poon LC, Rolnik DL, O’Gorman N, Delgado JL, Akolekar R, et al. Screening for pre-eclampsia by maternal factors and biomarkers at 11-13 weeks’ gestation. Ultrasound Obstet Gynecol. 2018;52(2):186-95. (PE — atualização raw→MoM multivariada)
- Wright A, Wright D, Syngelaki A, Georgantis A, Nicolaides KH. Two-stage screening for preterm preeclampsia at 11-13 weeks’ gestation. Am J Obstet Gynecol. 2019;220(2):197.e1-11. (PE — arquitetura final do rastreio)
- Rolnik DL, Wright D, Poon LC, O’Gorman N, Syngelaki A, de Paco Matallana C, Akolekar R, et al. Aspirin versus Placebo in Pregnancies at High Risk for Preterm Preeclampsia. N Engl J Med. 2017;377(7):613-22. (PE — cutoff ≥1:100 para aspirina, protocolo ASPRE)
Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, além do acompanhamento de gestações de alto risco.
RQE PR 12.169 · RQE PR 238
RQE RS 45.076 · RQE RS 45.079
