Curitiba — Doc Batel
Porto Alegre — Inst. Celso Rigo
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Dr. Rafael Bruns
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Porto Alegre

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MEDICINA FETAL · CIRURGIA FETAL

Derrame pleural fetal: tratamento com shunt toracoamniótico

Receber a informação de que o seu bebê tem líquido acumulado no tórax é uma notícia que costuma chegar de surpresa. Em muitos casos, o achado é leve e regride sozinho. Em outros, exige avaliação rápida — porque o líquido pode comprimir os pulmões e o coração e mudar o curso da gestação.

Em resumo

  • O derrame pleural fetal — também chamado de hidrotórax fetal — é raro: ocorre em cerca de 1 a cada 10.000–15.000 gestações
  • Em casos leves, o acompanhamento próximo é suficiente; cerca de 10% regridem espontaneamente
  • Quando há hidropsia, polidrâmnio ou recidiva após toracocentese, o shunt toracoamniótico passa a ser indicado
  • Sem tratamento em casos graves, a sobrevida fica entre 12% e 24%; com shunt, entre 57% e 74%
  • Avaliação e procedimento em Curitiba e Porto Alegre — primeira conversa pode começar por teleconsulta
Ultrassom obstétrico de feto com aproximadamente 28 semanas mostrando o shunt toracoamniótico em posição, com setas amarelas indicando as duas extremidades do dreno — uma na cavidade pleural do bebê e outra no líquido amniótico
Shunt toracoamniótico em posição em feto de aproximadamente 28 semanas. As setas amarelas indicam as duas extremidades do dreno — uma dentro da cavidade pleural, outra no líquido amniótico.

O que é o derrame pleural fetal e por que ele importa

O derrame pleural fetal é o acúmulo de líquido na cavidade pleural — o espaço entre os pulmões e a parede do tórax do bebê. Em pequenas quantidades, esse acúmulo não traz consequências importantes; o bebê continua se desenvolvendo normalmente. À medida que o volume aumenta, dois problemas surgem em sequência.

Primeiro, os pulmões deixam de ter espaço para crescer. O desenvolvimento pulmonar fetal depende da expansão repetida do tórax e da movimentação do líquido amniótico para dentro e fora dos pulmões; a compressão prolongada leva à hipoplasia pulmonar — pulmões menores e menos funcionais ao nascer. Segundo, o líquido sob pressão dificulta o retorno do sangue ao coração. Em casos graves desenvolve-se a hidropsia fetal — acúmulo de líquido também em outros compartimentos, como pele, abdome e ao redor do coração. A hidropsia é o sinal de que o sistema cardiovascular do bebê está em sobrecarga, e marca uma piora importante do prognóstico se não houver intervenção.

O processo costuma se desenvolver gradualmente. Por isso, derrames diagnosticados precocemente e acompanhados em centro especializado têm desfecho muito diferente daqueles diagnosticados tarde ou em casos onde a hidropsia já se instalou.


Como é feito o diagnóstico

O derrame pleural fetal é detectado pelo ultrassom obstétrico — geralmente no ultrassom morfológico do segundo trimestre, mas pode aparecer mais tarde na gestação. A imagem mostra uma faixa de líquido contornando um ou ambos os pulmões. Quando o achado é confirmado, a investigação se aprofunda em algumas frentes:

  • Ultrassom morfológico detalhado — busca anomalias estruturais associadas, mede o desvio do mediastino e a quantidade de líquido amniótico (procurando polidrâmnio).
  • Ecocardiografia fetal — descarta malformação cardíaca como causa do derrame e avalia a função cardíaca, em especial sinais precoces de sobrecarga. A ecocardiografia fetal é parte obrigatória da investigação.
  • Pesquisa de infecções congênitas — TORCH, parvovírus B19, citomegalovírus.
  • Cariótipo ou exoma fetal — em até 23% dos casos há alteração genética associada (trissomia 21, síndrome de Noonan e outras).
  • Toracocentese diagnóstica — punção do líquido para análise. Se o líquido for predominantemente linfático (chilothorax), a causa é primária. Se houver outros componentes, a investigação aponta para causa secundária.

A maioria das famílias chega para a primeira avaliação em centro especializado com parte desses exames já feitos no serviço de origem. O papel do especialista em medicina fetal não é refazer tudo, mas integrar os achados e definir o que muda na conduta.


Os caminhos de tratamento — uma escada de decisão

Nem todo derrame pleural fetal precisa de cirurgia. A conduta depende da quantidade de líquido, da presença ou não de hidropsia, e da velocidade de progressão entre exames. Existem três caminhos possíveis, em ordem de intervenção crescente.

Etapa 1

Acompanhamento

Para derrames pequenos a moderados, sem hidropsia. Cerca de 10% regridem espontaneamente ao longo da gestação.

Indicação

Derrame estável, sem desvio do mediastino, sem polidrâmnio.

Observação

Etapa 2

Toracocentese

Punção guiada por ultrassom para drenar o líquido. Alívio imediato e material para diagnóstico — mas o líquido pode reacumular em 24 a 72 horas.

Indicação

Derrame grande ou em crescimento; investigação inicial da causa.

Drenagem pontual

Etapa 3

Shunt toracoamniótico

Cateter que drena o líquido continuamente do tórax para a cavidade amniótica até o nascimento. Permite que os pulmões cresçam.

Indicação

Hidropsia, polidrâmnio importante, ou recidiva após toracocentese.

Cirurgia fetal

Acompanhamento próximo. Em derrames pequenos a moderados, sem hidropsia e sem desvio importante do mediastino, a observação semanal por ultrassom é suficiente. Cerca de 10% dos casos apresentam regressão espontânea — o líquido reabsorve sozinho ao longo da gestação.

Toracocentese. Quando o derrame é grande ou está crescendo rápido, a primeira intervenção costuma ser a toracocentese — uma punção guiada por ultrassom para drenar o líquido e enviar para análise. Tem dupla função: alivia imediatamente a pressão sobre os pulmões e o coração, e fornece material para diagnóstico. O problema da toracocentese isolada é que, em muitos casos, o líquido reacumula nas 24 a 72 horas seguintes, exigindo punções repetidas.

Shunt toracoamniótico. Quando o líquido reacumula após uma ou duas toracocentenses, ou quando há hidropsia ou polidrâmnio importante associados, o shunt toracoamniótico — ou cirurgia fetal para drenagem do tórax — passa a ser a indicação. Em vez de drenar o líquido pontualmente, o shunt cria uma drenagem contínua, que acompanha o bebê até o nascimento.

Próximo passo

Está com um diagnóstico recente de derrame pleural fetal?

Tirar dúvidas com o especialista pode ajudar a definir se o caso está num cenário de acompanhamento ou de intervenção.


O que é o shunt toracoamniótico

O shunt toracoamniótico é um pequeno cateter — um tubo flexível, com cerca de 1,7 mm de diâmetro e 15 mm de comprimento útil — que liga o tórax do bebê à cavidade amniótica. Uma extremidade do cateter fica dentro da cavidade pleural; a outra, do lado de fora, no líquido amniótico que envolve o bebê. À medida que o líquido se acumula no tórax, ele escorre pelo shunt para o líquido amniótico ao redor — onde é absorvido sem causar dano.

A ideia central é simples: em vez de fazer várias punções ao longo das semanas, instala-se um sistema que drena continuamente. Os pulmões deixam de ser comprimidos e podem se expandir, e o coração para de trabalhar contra resistência elevada. Em fetos com hidropsia, esse alívio costuma ser suficiente para que o sistema cardiovascular se recupere antes do parto.

Comparação ultrassonográfica do tórax fetal antes e depois da colocação do shunt toracoamniótico — à esquerda, sem dreno, grande volume de líquido pleural com desvio do mediastino e compressão do coração; à direita, com dreno, redução significativa do derrame e descompressão cardíaca
Comparação ultrassonográfica do tórax fetal antes (esquerda) e depois (direita) da colocação do shunt toracoamniótico. Sem dreno: derrame pleural volumoso com desvio do mediastino e compressão do coração. Com dreno: redução significativa do derrame e descompressão cardíaca.

Quando o shunt é indicado

Os critérios para indicar o shunt toracoamniótico variam ligeiramente entre centros, mas a literatura internacional converge em alguns pontos centrais:

  • Derrame pleural com hidropsia fetal em desenvolvimento;
  • Derrame pleural com polidrâmnio significativo (excesso de líquido amniótico, que pode levar a contrações precoces);
  • Derrame pleural sob tensão — quando há desvio do mediastino, mostrando que a pressão dentro do tórax já é elevada;
  • Derrame pleural recorrente após uma ou duas toracocentenses;
  • Idade gestacional adequada para a intervenção: tipicamente entre 18 e 33 semanas.

A indicação é individualizada. Em casos limítrofes, a decisão considera também o tamanho dos pulmões, a função cardíaca avaliada no ecocardiograma, e a velocidade de progressão da doença entre os ultrassons. Algumas situações tornam o shunt menos indicado ou contraindicado: malformação cardíaca grave, síndrome cromossômica grave, infecção materna ativa.


Como é feito o procedimento

O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, com equipe de medicina fetal, anestesia e enfermagem. Você chega ao hospital em jejum. Um ultrassom inicial confirma a posição do bebê, a localização do derrame e a melhor via de acesso pelo abdome materno.

A mãe recebe anestesia local na pele do abdome, no ponto onde o cateter será introduzido. Em alguns casos, sedação intravenosa leve é associada para conforto materno. O feto recebe uma sedação fetal — uma pequena injeção administrada por via intramuscular no bebê — para evitar movimentação durante a colocação do cateter e garantir analgesia.

Sob orientação contínua do ultrassom, uma agulha-trocarte é introduzida pelo abdome materno, atravessa o útero e chega ao tórax do bebê. Pelo trocarte, o cateter é posicionado: uma extremidade fica dentro da cavidade pleural, a outra fica do lado de fora, no líquido amniótico. Confirmamos no ultrassom que o líquido começa a drenar — esse é o sinal de que o shunt está funcionando. O trocarte é retirado e o cateter permanece em posição. Em casos de derrame bilateral, dois shunts são colocados, um em cada lado do tórax, na mesma sessão.

Vídeo de ultrassom mostrando o shunt toracoamniótico em posição no tórax fetal. Durante a movimentação do bebê, é possível acompanhar as extremidades do cateter — sinal de que o dreno está estável e funcionando.

O procedimento, quando não há intercorrências, dura de 30 a 60 minutos. A mãe permanece em observação por algumas horas e, se a evolução é boa, recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte. Antibiótico profilático é prescrito por alguns dias. Tocolíticos (medicações para inibir contrações) são usados apenas se houver atividade uterina.


Os tipos de cateter — qual usamos e por quê

Existem alguns modelos de cateter para essa finalidade — Rodeck, Somatex, Harrison e double-basket são os mais conhecidos internacionalmente. Cada um tem características próprias de material, comprimento e formato das ancoragens. O Rodeck era considerado, por muitos centros, o de melhor desempenho técnico, mas foi retirado do mercado em 2021 por questões regulatórias da União Europeia que dificultaram a manutenção da fabricação.

Em nossa prática, usamos o Harrison shunt (Cook Medical) — um cateter de plástico flexível com extremidades em formato de pigtail, que se enrolam após a inserção e ancoram o cateter dentro do tórax e fora do corpo do bebê. É o cateter com maior tempo de uso documentado em literatura, com perfil de complicações conhecido e amplamente discutido em estudos multicêntricos. A escolha do cateter, na minha experiência, não é só uma questão de comparar números entre modelos: a familiaridade da equipe com um cateter específico é tão importante quanto as características técnicas do dispositivo. Independentemente do modelo, todo shunt toracoamniótico tem o mesmo princípio de funcionamento: criar uma drenagem contínua do tórax para a cavidade amniótica.


Riscos do procedimento e o risco de não tratar

Como qualquer procedimento de cirurgia fetal, o shunt toracoamniótico tem riscos. Os principais, descritos na literatura internacional:

  • Trabalho de parto prematuro e ruptura prematura de membranas (PPROM): ocorre em uma parte considerável dos casos — estimada entre 10% e 38% nos diferentes estudos —, geralmente em idades gestacionais que ainda permitem desfecho favorável.
  • Dislocação do cateter: quando o shunt migra para fora da posição correta. Acontece em até 30% dos casos a depender do modelo e do tempo até o parto. Quando ocorre, pode ser necessário um segundo procedimento.
  • Obstrução do cateter: em cerca de 10% a 13% dos casos, com necessidade de novo shunt.
  • Infecções: raras, ocorrem em menos de 3% dos casos, mas exigem atenção quando aparecem.
  • Sangramento materno ou perda gestacional: raros, mas possíveis em qualquer intervenção uterina.

Esses riscos precisam ser comparados ao risco de não tratar. Em fetos com derrame pleural sob tensão e hidropsia que não recebem tratamento, a sobrevida estimada na literatura fica entre 12% e 24%. Após o shunt toracoamniótico, a sobrevida sobe para algo entre 57% e 74% nos diferentes estudos publicados. Não é a mesma coisa que dizer que o procedimento salva todos — é dizer que, em casos selecionados, ele muda completamente o ponto de partida do bebê.


Um caso recente

O caso a seguir é apresentado de forma anonimizada para preservar a identidade da família.

Recebemos uma gestante que veio de outro estado após o diagnóstico do bebê. Havia derrame pleural fetal nos dois lados do tórax, e o líquido já comprimia os pulmões a ponto de ter provocado hidropsia fetal — o quadro em que o bebê começa a acumular líquido também em pele, abdome e ao redor do coração, sinal de que o sistema cardiovascular está em sobrecarga e que representa risco importante à vida fetal.

Com aproximadamente 26 semanas de gestação, realizamos a intervenção intrauterina e colocamos dois cateteres, um em cada lado do tórax fetal. Os cateteres funcionam como pequenos drenos contínuos, permitindo que o líquido escorra do tórax para o líquido amniótico ao redor do bebê.

A resposta foi muito positiva. Em cerca de três semanas, todo o edema fetal havia desaparecido. A hidropsia regrediu, o tórax descomprimiu, e a gestação pôde continuar. Com acompanhamento próximo nas semanas seguintes, a gravidez evoluiu até o termo e o bebê nasceu em boas condições.

Esse tipo de caso mostra por que a avaliação especializada em medicina fetal é tão importante. Em algumas situações — quando o problema é identificado a tempo e a indicação é adequada —, o tratamento ainda durante a gestação pode transformar o prognóstico. Importante registrar: nem todo caso responde dessa forma. O resultado depende da causa do derrame, do estágio em que a hidropsia foi identificada, da resposta individual do bebê e de fatores que só a avaliação completa permite mapear. É exatamente por isso que a avaliação importa.


O que o shunt não faz

O shunt toracoamniótico não trata a causa do derrame. Se o líquido se acumula porque há malformação linfática, infecção congênita ou anomalia genética, essas causas continuam presentes. O shunt apenas evita que o líquido comprima os pulmões e o coração durante a gestação. Após o nascimento, parte dos bebês ainda precisa de outras intervenções: drenagem torácica neonatal, tratamento da causa de base, suporte respiratório por dias ou semanas. O shunt é uma ponte para o nascimento — não é uma cura.

Saber disso muda como a família encara o procedimento. O objetivo do shunt é dar aos pulmões espaço e tempo para crescer, e descomprimir o coração antes que a hidropsia se instale ou se agrave. Esses são os ganhos reais e mensuráveis. O resto da história — a investigação completa da causa, o tratamento pós-natal — é o capítulo seguinte, com sua própria equipe (neonatologistas, cirurgiões pediátricos, geneticistas) e seu próprio tempo.


Se o shunt não for indicado no seu caso

Nem todo derrame pleural fetal precisa de shunt. Em derrames leves a moderados, sem hidropsia e estáveis ao longo das semanas, o acompanhamento ultrassonográfico próximo é a conduta correta — e muitas vezes suficiente. Se essa for a conclusão da avaliação no seu caso, o que se constrói é um plano: ultrassons em intervalos pré-definidos, sinais de alerta para retorno antecipado, e — principalmente — definir antecipadamente onde o bebê vai nascer. Bebês com derrame pleural ao nascer precisam de equipe neonatal preparada para drenagem imediata e suporte ventilatório, e isso muda o desfecho. A avaliação pré-natal, mesmo que não termine em cirurgia fetal, serve para esse planejamento — e é o que diferencia um diagnóstico bem conduzido de um diagnóstico recebido sem direção.


Acompanhamento após o shunt e parto

Após a colocação do shunt, o acompanhamento é semanal nas primeiras semanas — ultrassom para confirmar a posição do cateter, avaliar o tamanho do derrame residual, monitorar sinais de hidropsia ou polidrâmnio, e verificar o crescimento fetal. Com o tempo, e se a evolução é boa, os retornos passam a ser quinzenais.

O parto é planejado idealmente entre 35 e 37 semanas em maternidade com UTI neonatal e equipe pediátrica preparada. Logo após o nascimento, a equipe neonatal clampeia e remove o shunt, posiciona um dreno torácico se necessário, e dá suporte ventilatório. A maioria dos bebês precisa de oxigênio nos primeiros dias e parte deles precisa de ventilação mecânica em alguma medida. Após estabilização, segue-se a investigação e o tratamento da causa do derrame — chilothorax pode responder a dieta especial e octreotida; causas cromossômicas exigem acompanhamento próprio; infecções têm tratamento específico.


Sinais que merecem avaliação especializada

Seis situações em que o derrame pleural fetal pede avaliação em centro de medicina fetal. Não é uma lista de diagnóstico — é um filtro de quando vale a conversa com especialista.

1

Líquido no tórax do bebê

O ultrassom mostrou acúmulo de líquido na cavidade pleural, em um ou nos dois lados do tórax.

2

Derrame em crescimento

O volume do líquido está aumentando entre exames consecutivos, indicando processo ativo.

3

Sinais de hidropsia

Líquido também em outros compartimentos do bebê — pele, abdome ou ao redor do coração.

4

Polidrâmnio

Excesso de líquido amniótico, que pode levar a contrações precoces e parto prematuro.

5

Desvio do mediastino

O coração do bebê deslocou-se para o lado oposto pela pressão do líquido — sinal de tensão no tórax.

6

Diagnóstico sem avaliação

Você recebeu o diagnóstico recentemente e ainda não foi avaliada por especialista em medicina fetal.

Quando vale buscar avaliação especializada em derrame pleural fetal

  • O ultrassom mostrou líquido na cavidade pleural do bebê, em um ou nos dois lados do tórax
  • O derrame está aumentando entre exames consecutivos
  • Há sinais de hidropsia fetal (líquido em outros compartimentos, como pele, abdome ou pericárdio)
  • Foi detectado polidrâmnio (excesso de líquido amniótico)
  • O coração do bebê está deslocado para o lado oposto pelo derrame (desvio do mediastino)
  • Você recebeu o diagnóstico recentemente e ainda não foi avaliada por especialista em medicina fetal

Atendimento presencial em Curitiba e Porto Alegre. Teleconsulta disponível para pacientes de qualquer estado, com possibilidade de revisar laudos e definir os próximos passos sem necessidade imediata de viagem.


Onde fazemos o procedimento

Realizamos a avaliação completa para derrame pleural fetal, a toracocentese e a colocação do shunt toracoamniótico tanto em Curitiba quanto em Porto Alegre, em parceria com maternidades equipadas e equipes neonatais preparadas. Para famílias de outros estados, a primeira avaliação pode começar por teleconsulta — uma forma de revisar os laudos, entender a indicação e definir se uma viagem para avaliação presencial é necessária. Boa parte das famílias chega de outros estados com o diagnóstico já feito; nesses casos, a teleconsulta serve para evitar uma viagem desnecessária quando a conduta é de acompanhamento, ou para preparar a viagem de forma planejada quando há indicação cirúrgica.

Avaliação especializada

Recebeu o diagnóstico de derrame pleural fetal?

A avaliação completa inclui ultrassom de medicina fetal, ecocardiografia fetal e revisão dos exames já realizados.


Perguntas frequentes sobre o shunt toracoamniótico

O shunt toracoamniótico fica no bebê para sempre?

Não. O shunt acompanha o bebê durante a gestação e é retirado pela equipe neonatal logo após o nascimento, com o bebê já fora do útero. O ponto de inserção na pele cicatriza nos primeiros dias.

Meu bebê vai sentir dor durante o procedimento?

O bebê recebe sedação fetal — uma injeção intramuscular antes da colocação do shunt — exatamente para garantir que ele não se mova e não sinta dor durante o procedimento.

Posso ter parto normal depois do shunt toracoamniótico?

Sim, dependendo da posição do bebê, da idade gestacional do parto e da avaliação obstétrica geral. O shunt em si não impede o parto vaginal. A indicação de cesariana, quando ocorre, é baseada em outros fatores obstétricos.

Quanto tempo dura o procedimento?

Em casos sem complicações, entre 30 e 60 minutos. A internação é curta — alta no mesmo dia ou no dia seguinte na maioria dos casos.

O shunt sempre resolve o problema?

Não. O shunt drena o líquido continuamente, mas pode dislocar (cerca de 30% dos casos a depender do modelo) ou obstruir (10% a 13%). Quando isso acontece, pode ser necessário um segundo procedimento. Mesmo com essas dificuldades, o shunt melhora significativamente a sobrevida em casos selecionados.

Onde é realizada a cirurgia?

A avaliação e o procedimento são realizados em Curitiba e em Porto Alegre, em maternidades com UTI neonatal e equipe pediátrica preparada. Para pacientes de outras cidades, a primeira conversa pode ser por teleconsulta.

O derrame pleural fetal pode acontecer em uma próxima gestação?

A maioria dos casos é esporádica e não tem chance aumentada de repetição. Algumas causas genéticas, no entanto, podem ter padrão de herança — por isso a investigação completa após o nascimento e, em alguns casos, o aconselhamento genético, são importantes para casais que planejam novas gestações.

Referências

  1. Treurniet TT, Abbasi N, Ryan G, et al. Comparison of Insertion Difficulties and Performance of Thoracoamniotic Shunts for Fetal Hydrothorax. Prenatal Diagnosis. 2026;46:105-113.
  2. Grandt J, Gottschalk I, Geipel A, et al. Intrauterine Thoracoamniotic Shunting of Fetal Hydrothorax with the Somatex Intrauterine Shunt. Journal of Clinical Medicine. 2022;11:2312.
  3. Katsura D, Inatomi A, Tokoro S, et al. Catheter Displacement Into the Amniotic Cavity by Fetal Movement After Thoracoamniotic Shunting. Cureus. 2024;16(9):e70570.
  4. Rodeck CH, Fisk NM, Fraser DI, Nicolini U. Long-term in utero drainage of fetal hydrothorax. N Engl J Med. 1988 — primeira descrição da técnica.
  5. ISUOG Practice Guidelines — consultar versão vigente para fetal hydrothorax e thoracoamniotic shunt.
Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns Gin. e Obstetrícia Medicina Fetal

Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal — incluindo o shunt toracoamniótico para derrame pleural fetal —, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, e acompanhamento de gestações de alto risco.

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Conteúdo com finalidade educativa. Não substitui avaliação médica individualizada. Diagnóstico e tratamento dependem de consulta presencial ou por telemedicina.