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Laser placentário para transfusão feto-fetal: como funciona
Cirurgia Fetal 9 min de leitura

Laser placentário para transfusão feto-fetal: como funciona

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 9 min de leitura

Cirurgia Fetal

Na síndrome de transfusão feto-fetal, o desequilíbrio entre os gêmeos ocorre por anastomoses — conexões vasculares na placenta que criam um fluxo preferencial de sangue do feto doador para o receptor. A ablação a laser é o único tratamento que age diretamente na causa.

O ponto central: o diagnóstico precoce e o encaminhamento rápido para um centro de cirurgia fetal são determinantes para o resultado. A ablação das anastomoses com laser é a única abordagem que age diretamente na causa da STFF.

Imagem fetoscópica de anastomose placentária após ablação a laser durante cirurgia fetal para tratamento da síndrome de transfusão feto-fetal — acervo Dr. Rafael Bruns
Ablação a laser das anastomoses placentárias por fetoscopia — o procedimento separa as duas circulações fetais, tratando a causa da síndrome de transfusão feto-fetal. Imagem do acervo pessoal do Dr. Rafael Bruns.

Laser placentário para transfusão feto-fetal: o que o procedimento faz

O estadiamento da síndrome orienta diretamente a decisão terapêutica. A partir do estágio II da classificação de Quintero — quando a bexiga do doador deixa de ser visualizada — a ablação a laser passa a ser o tratamento de escolha, indicada também nos estágios III e IV.

Para entender o que é a síndrome e como ela é diagnosticada, leia o artigo sobre o que é a STFF, como é diagnosticada e quando tratar. A amniodrenagem retira o excesso de líquido amniótico do receptor, aliviando temporariamente os sintomas — mas as anastomoses continuam ativas. A ablação a laser coagula esses vasos sanguíneos um a um, sob visão direta pelo fetoscópio, separando as duas circulações fetais. Depois de um procedimento bem-sucedido, os fetos passam a funcionar de forma independente na mesma placenta. É o único tratamento que age na causa da síndrome, não nos seus efeitos.

Para saber o que acontece depois da cirurgia — sobrevivência, complicações e protocolo de acompanhamento — leia sobre o que esperar após a cirurgia a laser. O procedimento deve ser realizado entre a 16ª e a 26ª semana de gestação — a janela em que o acesso fetoscópico é tecnicamente viável e o risco de parto prematuro imediato ainda é manejável. A complexidade aumenta em estágios avançados e em situações como colo uterino curto, o que reforça a importância de encaminhar a gestante a um centro especializado assim que o diagnóstico é confirmado.

Importante: a indicação do procedimento depende de avaliação individualizada por especialista em cirurgia fetal. Este artigo tem finalidade educativa.

AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA

Recebeu diagnóstico de STFF?

O tempo entre o diagnóstico e a cirurgia é crítico. Agende uma avaliação presencial ou teleconsulta.

Como a ablação é realizada

Por uma pequena incisão no abdômen da gestante, o cirurgião introduz um fetoscópio — câmera de fibra óptica de poucos milímetros — até a cavidade amniótica, guiado por ultrassom contínuo. A superfície da placenta é inspecionada, as anastomoses são identificadas e cada uma é coagulada com o laser, uma a uma, sob visão direta.

A anestesia é local ou peridural — anestesia geral raramente é necessária. O tempo cirúrgico médio é de 60 a 90 minutos. A internação costuma ser breve, com retorno às atividades habituais em cerca de duas a três semanas. O procedimento não interfere no tipo de parto nem na fertilidade futura.

Procedimento de cirurgia fetal fetoscópica para tratamento da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) — Dr. Rafael Bruns e equipe

Técnica de Solomon

Após a coagulação seletiva de cada anastomose, a técnica de Solomon acrescenta uma linha contínua de ablação ao longo de todo o equador vascular da placenta — dividindo-a funcionalmente ao meio e separando de forma definitiva as duas circulações fetais.

O Prof. Dick Oepkes, um dos criadores da técnica no Leiden University Medical Center, contou essa história durante o treinamento em cirurgia fetal a laser que realizei em Leiden em 2015: o nome é uma referência direta ao Rei Salomão — o monarca bíblico que, diante de duas mães disputando o mesmo filho, ameaçou dividir a criança ao meio para revelar a verdade. Na técnica, a linha de laser divide a circulação placentária ao meio — na tentativa de salvar os dois bebês.

Validada em ensaio clínico randomizado publicado no Lancet em 2014 (Slaghekke et al.), essa abordagem reduz significativamente a recorrência da síndrome e a ocorrência de sequência anemia-policitemia pós-laser — complicações causadas por anastomoses residuais de pequeno calibre que escapam à coagulação seletiva. Gestações tratadas com a técnica de Solomon têm maior sobrevida de ambos os fetos em comparação à coagulação seletiva isolada, embora também estejam associadas a parto em idade gestacional ligeiramente mais precoce.

Técnica de Solomon: após coagular cada anastomose individualmente, o cirurgião traça uma linha contínua de coagulação ao longo do equador vascular da placenta.

Indicações e contraindicações

A ablação a laser é indicada quando há diagnóstico confirmado de STFF com progressão da doença — especialmente a partir do estágio II — dentro da janela de 16 a 26 semanas. O procedimento também é considerado em estágios I com características de alto risco de progressão, a critério do especialista.

Situações que podem contraindicar o procedimento incluem gestação acima de 26 semanas, ruptura prematura de membranas, trabalho de parto em curso, infecção uterina ativa ou malformações fetais graves que comprometem o prognóstico. A decisão é sempre individualizada, com avaliação por equipe especializada em cirurgia fetal e consentimento informado da gestante.

Resultados e complicações

Sem tratamento, a mortalidade de um ou ambos os fetos na STFF grave pode atingir 90–95%. Com a ablação a laser, a sobrevida de ao menos um gemelar chega a 76% (Senat 2004, NEJM). Séries mais recentes com a técnica de Solomon relatam sobrevida de ambos os fetos em torno de 70%.

O acompanhamento por ultrassom semanal após o procedimento é padrão — para monitorar a resolução da síndrome e identificar complicações precoces.

As principais complicações incluem:

  • Ruptura prematura de membranas: a mais frequente, ocorrendo em até 28% dos casos
  • Sequência anemia-policitemia (TAPS) pós-laser: causada por anastomoses residuais de pequeno calibre
  • Recorrência da síndrome: menos comum com a técnica de Solomon
  • Prematuridade e restrição de crescimento fetal: podem ocorrer mesmo após o tratamento

Sequelas neurológicas nos bebês podem ocorrer — por instabilidade circulatória durante a doença ou por complicações da prematuridade. O acompanhamento do desenvolvimento após o nascimento é parte essencial do cuidado, e centros de referência em cirurgia fetal oferecem esse seguimento de forma integrada. O sucesso do procedimento está diretamente ligado à experiência da equipe e à infraestrutura do centro onde é realizado.

Sinais de alerta após a ablação — comunicar imediatamente ao centro:

  • Perda de líquido amniótico
  • Contrações frequentes
  • Redução ou ausência de movimentos fetais
  • Sangramento vaginal ou febre

Perguntas frequentes

O laser para STFF garante a sobrevida dos dois gêmeos?

Não. A ablação a laser é o melhor tratamento disponível e apresenta resultados muito superiores à ausência de intervenção, mas a STFF é uma condição grave. A sobrevida de ao menos um feto chega a 76% (Senat 2004); de ambos os fetos, a 60–70% dependendo do estágio e da experiência do centro. Sem tratamento, a mortalidade pode atingir 90–95%.
O procedimento afeta o tipo de parto?

Não. A fetoscopia é minimamente invasiva e não determina a via de parto. A decisão segue os critérios obstétricos habituais das gestações gemelares.
A síndrome pode recorrer após o laser?

Sim, mas é incomum — especialmente com a técnica de Solomon. A recorrência ocorre quando anastomoses de calibre muito pequeno persistem após a coagulação. O acompanhamento ultrassonográfico semanal monitora essa possibilidade.
O que é a sequência anemia-policitemia (TAPS) pós-laser?

A TAPS ocorre quando anastomoses residuais muito finas permanecem funcionantes após a ablação. Diferente da STFF clássica, não causa a discrepância típica de líquido amniótico — o diagnóstico é feito pelo Doppler da artéria cerebral média dos dois fetos.
Onde a ablação a laser para STFF é realizada no Brasil?

Em poucos centros de referência em cirurgia fetal. O Dr. Rafael Bruns, com formação no Leiden University Medical Center, realiza o procedimento em Curitiba e Porto Alegre. Para gestantes de outras regiões, a teleconsulta permite avaliação prévia antes do deslocamento.
Quando devo encaminhar para avaliação?

Assim que houver diagnóstico ou suspeita de STFF em qualquer estágio. O tempo entre o diagnóstico e a cirurgia é crítico — especialmente nos estágios III e IV, em que a deterioração pode ocorrer em horas. O encaminhamento precoce amplia as opções terapêuticas e melhora o prognóstico.

Referências

  1. Senat MV, Deprest J, Boulvain M, et al. Endoscopic laser surgery versus serial amnioreduction for severe twin-to-twin transfusion syndrome. N Engl J Med. 2004;351(2):136-144.
  2. Slaghekke F, Lopriore E, Lewi L, et al. Fetoscopic laser coagulation of the vascular equator versus selective coagulation for twin-to-twin transfusion syndrome: an open-label randomised controlled trial. The Lancet. 2014;383(9935):2144-2151.
  3. ISUOG — diretrizes para acompanhamento de gestações gemelares monocoriônicas (consultar versão vigente).

PRÓXIMO PASSO

Diagnóstico de STFF ou gestação gemelar monocoriônica?

Avaliação presencial em Curitiba ou Porto Alegre, ou teleconsulta para revisar laudos e orientar o encaminhamento.

Conteúdo com finalidade educativa. Não substitui avaliação médica individualizada. Diagnóstico e tratamento dependem de consulta presencial ou por telemedicina.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal

Dr. Rafael Bruns
Gin. e Obstetrícia
Medicina Fetal

Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, além do acompanhamento de gestações de alto risco.

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