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Placenta prévia: o que a gestante precisa saber
Medicina Fetal 7 min de leitura

Placenta prévia: o que a gestante precisa saber

Dr. Rafael Bruns
Dr. Rafael Bruns MÉDICO · CRM-PR 18.582 / CRM-RS 58.559
· 7 min de leitura

Complicações placentárias

A placenta prévia é uma condição em que a placenta se implanta na parte inferior do útero, cobrindo parcial ou totalmente o colo uterino. Entender o diagnóstico, a evolução e o planejamento do parto faz diferença no desfecho.

O essencial: a placenta prévia é manejável quando diagnosticada a tempo e acompanhada por equipe experiente. Muitos casos de “placenta baixa” no segundo trimestre se resolvem espontaneamente.
Ultrassom transvaginal mostrando placenta prévia — a placenta cobre o orifício interno do colo uterino
Ultrassom transvaginal evidenciando placenta prévia: a placenta recobre o orifício interno do colo uterino. A via transvaginal oferece melhor visualização da relação entre a placenta e o colo. Imagem do arquivo pessoal do Dr. Rafael Bruns.

O que é placenta prévia

A placenta se implanta na parte inferior do útero e cobre total ou parcialmente o colo uterino. Isso pode causar sangramento — principalmente no terceiro trimestre — e impede o parto vaginal quando a cobertura é total.

No início da gestação, é comum a placenta estar “baixa”. Em muitos casos, ela “sobe” à medida que o útero cresce. Por isso, o diagnóstico definitivo só é feito no terceiro trimestre.




Clique nas abas para ver os tipos de placenta prévia




Ilustração da posição normal da placenta — placenta implantada no fundo uterino, longe do colo

Posição normal: a placenta está implantada no fundo ou corpo do útero, longe do colo uterino. Esta é a localização habitual e não traz riscos relacionados à posição placentária.

Ilustração de placenta prévia marginal — borda da placenta tangencia o orifício interno do colo

Posição marginal: a borda da placenta chega até a margem do orifício interno do colo uterino, sem cobri-lo. Pode resolver espontaneamente com o crescimento do útero.

Ilustração de placenta prévia parcial — placenta cobre parcialmente o orifício interno do colo uterino

Posição parcial: a placenta cobre parcialmente o orifício interno do colo. O parto vaginal geralmente não é recomendado nessa situação.

Ilustração de placenta prévia total — placenta cobre completamente o orifício interno do colo uterino

Posição total: a placenta cobre completamente o orifício interno do colo uterino. A cesárea é obrigatória. É o tipo de maior risco para sangramento.

Ilustração: Dr. Rafael Bruns — Tipos de placenta prévia conforme a relação com o orifício interno do colo uterino.

Importante: nem toda placenta baixa no segundo trimestre será placenta prévia. Quando há placenta prévia associada a cesáreas anteriores, existe risco aumentado de acretismo placentário — uma condição em que a placenta invade mais profundamente a parede uterina.

Quem tem mais risco

Alguns fatores aumentam a probabilidade de placenta prévia:

  • Cesáreas anteriores — quanto mais cesáreas, maior o risco
  • Cirurgias uterinas prévias (miomectomia, curetagem)
  • Gestação gemelar
  • Tabagismo e idade materna avançada

A relação entre cesárea e complicações placentárias merece atenção: em gestantes com placenta prévia e cesáreas prévias, o risco de acretismo placentário sobe significativamente — de 3% (sem cesárea anterior) para mais de 60% (com 3 ou mais cesáreas). É uma das razões pelas quais a indicação criteriosa de cesárea importa.

Como é diagnosticada

O diagnóstico é feito por ultrassom, geralmente em etapas progressivas de detalhamento.

1) Ultrassom obstétrico de rotina

A posição da placenta é avaliada em todos os ultrassons. Quando está baixa no segundo trimestre, é anotado e reavaliado. O morfológico já documenta a localização placentária.

2) Ultrassom transvaginal

Quando há suspeita de placenta prévia, o ultrassom transvaginal é mais preciso para avaliar a relação da placenta com o colo. É seguro — não aumenta risco de sangramento.

3) Doppler e reavaliação no terceiro trimestre

O Doppler ajuda a mapear a vascularização. A reavaliação no terceiro trimestre confirma se a placenta migrou ou permanece prévia, definindo o planejamento do parto.

Na prática: o diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução e planejar o parto com segurança. Quando há suspeita de acretismo associado, uma avaliação especializada por especialista em medicina fetal é fundamental.

SEGUNDA OPINIÃO

Recebeu diagnóstico de placenta prévia?

Envie seus exames e receba orientação especializada — presencial ou por teleconsulta.

O que muda no acompanhamento

O diagnóstico de placenta prévia transforma a gestação em alto risco — e o acompanhamento precisa refletir isso.

Vigilância de sangramento

  • Orientação para procurar emergência a qualquer sangramento
  • Repouso relativo em casos com sangramento recorrente
  • Internação hospitalar quando indicada

Ultrassons seriados

  • Reavaliação da posição placentária no terceiro trimestre
  • Monitoramento de sinais de acretismo
  • Avaliação do crescimento fetal e volume de líquido amniótico

Planejamento do parto

O momento e o modo do parto dependem da localização da placenta e da evolução da gestação.

  • Via de parto: cesárea programada (geralmente 36-37 semanas) quando a placenta cobre o colo
  • Se a placenta migrou e não cobre mais o colo: parto vaginal pode ser possível
  • Hospital com estrutura para sangramento no intra e pós-operatório
  • Reserva de hemoderivados quando indicada

O planejamento antecipado é o que mais impacta o desfecho. Quando a equipe sabe com antecedência o que vai encontrar, as chances de um parto seguro são significativamente maiores.

A teleconsulta pode ajudar: quando a gestante mora longe de um centro de referência, a teleconsulta permite avaliar exames, discutir o plano e definir o melhor momento para deslocamento — tudo antes da emergência acontecer.

Perguntas frequentes

Placenta baixa no segundo trimestre significa placenta prévia?

Nem sempre. No segundo trimestre, é relativamente comum a placenta estar em posição baixa. Na maioria dos casos, ela “migra” para cima à medida que o útero cresce. O diagnóstico de placenta prévia só é definitivo no terceiro trimestre — geralmente a partir de 28 semanas. Se o ultrassom do segundo trimestre mostrou placenta baixa, o importante é reavaliar.
Posso ter parto normal com placenta prévia?

Depende do tipo. Se a placenta cobre totalmente o colo (placenta prévia total), o parto vaginal não é possível — a cesárea é obrigatória. Se a placenta está baixa mas não cobre o colo (placenta de inserção baixa), o parto vaginal pode ser considerado, dependendo da distância entre a borda placentária e o orifício cervical interno.
Placenta prévia sempre causa sangramento?

Não necessariamente. Algumas gestantes com placenta prévia não apresentam sangramento durante toda a gestação. Porém, o sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre é o sintoma clássico. Mesmo sem sangramento, a condição exige acompanhamento cuidadoso e planejamento do parto.

AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA

Precisa avaliar sua placenta com especialista?

Avaliação detalhada com ultrassom e Doppler em Curitiba ou Porto Alegre. Ou teleconsulta para revisar seus exames e definir o plano de parto.

Conteúdo com finalidade educativa. Não substitui avaliação médica individualizada. Diagnóstico e tratamento dependem de consulta presencial ou por telemedicina.

Dr. Rafael Bruns — Medicina Fetal

Dr. Rafael Bruns
Gin. e Obstetrícia
Medicina Fetal

Médico especialista em Medicina Fetal, com atuação em Curitiba e Porto Alegre. Realiza cirurgia fetal, ultrassonografia especializada, procedimentos invasivos como amniocentese e biópsia de vilo corial, além do acompanhamento de gestações de alto risco.

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