Complicações placentárias
A placenta prévia é uma condição em que a placenta se implanta na parte inferior do útero, cobrindo parcial ou totalmente o colo uterino. Entender o diagnóstico, a evolução e o planejamento do parto faz diferença no desfecho.

O que é placenta prévia
A placenta se implanta na parte inferior do útero e cobre total ou parcialmente o colo uterino. Isso pode causar sangramento — principalmente no terceiro trimestre — e impede o parto vaginal quando a cobertura é total.
No início da gestação, é comum a placenta estar “baixa”. Em muitos casos, ela “sobe” à medida que o útero cresce. Por isso, o diagnóstico definitivo só é feito no terceiro trimestre.
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Posição normal: a placenta está implantada no fundo ou corpo do útero, longe do colo uterino. Esta é a localização habitual e não traz riscos relacionados à posição placentária.

Posição marginal: a borda da placenta chega até a margem do orifício interno do colo uterino, sem cobri-lo. Pode resolver espontaneamente com o crescimento do útero.

Posição parcial: a placenta cobre parcialmente o orifício interno do colo. O parto vaginal geralmente não é recomendado nessa situação.

Posição total: a placenta cobre completamente o orifício interno do colo uterino. A cesárea é obrigatória. É o tipo de maior risco para sangramento.
Ilustração: Dr. Rafael Bruns — Tipos de placenta prévia conforme a relação com o orifício interno do colo uterino.
Quem tem mais risco
Alguns fatores aumentam a probabilidade de placenta prévia:
- Cesáreas anteriores — quanto mais cesáreas, maior o risco
- Cirurgias uterinas prévias (miomectomia, curetagem)
- Gestação gemelar
- Tabagismo e idade materna avançada
A relação entre cesárea e complicações placentárias merece atenção: em gestantes com placenta prévia e cesáreas prévias, o risco de acretismo placentário sobe significativamente — de 3% (sem cesárea anterior) para mais de 60% (com 3 ou mais cesáreas). É uma das razões pelas quais a indicação criteriosa de cesárea importa.
Como é diagnosticada
O diagnóstico é feito por ultrassom, geralmente em etapas progressivas de detalhamento.
1) Ultrassom obstétrico de rotina
A posição da placenta é avaliada em todos os ultrassons. Quando está baixa no segundo trimestre, é anotado e reavaliado. O morfológico já documenta a localização placentária.
2) Ultrassom transvaginal
Quando há suspeita de placenta prévia, o ultrassom transvaginal é mais preciso para avaliar a relação da placenta com o colo. É seguro — não aumenta risco de sangramento.
3) Doppler e reavaliação no terceiro trimestre
O Doppler ajuda a mapear a vascularização. A reavaliação no terceiro trimestre confirma se a placenta migrou ou permanece prévia, definindo o planejamento do parto.
O que muda no acompanhamento
O diagnóstico de placenta prévia transforma a gestação em alto risco — e o acompanhamento precisa refletir isso.
Vigilância de sangramento
- Orientação para procurar emergência a qualquer sangramento
- Repouso relativo em casos com sangramento recorrente
- Internação hospitalar quando indicada
Ultrassons seriados
- Reavaliação da posição placentária no terceiro trimestre
- Monitoramento de sinais de acretismo
- Avaliação do crescimento fetal e volume de líquido amniótico
Planejamento do parto
O momento e o modo do parto dependem da localização da placenta e da evolução da gestação.
- Via de parto: cesárea programada (geralmente 36-37 semanas) quando a placenta cobre o colo
- Se a placenta migrou e não cobre mais o colo: parto vaginal pode ser possível
- Hospital com estrutura para sangramento no intra e pós-operatório
- Reserva de hemoderivados quando indicada
O planejamento antecipado é o que mais impacta o desfecho. Quando a equipe sabe com antecedência o que vai encontrar, as chances de um parto seguro são significativamente maiores.
Perguntas frequentes
Conteúdo com finalidade educativa. Não substitui avaliação médica individualizada. Diagnóstico e tratamento dependem de consulta presencial ou por telemedicina.